Mendonça: "Eu, meu travesseiro e Deus"
Deputado falou com Flávio Bolsonaro ainda ontem. Ele revela que decisão "foi solitária" e "não tem nada a ver" com Raquel Lyra
Publicado: 05/08/2026 às 00:00
Mendonça Filho (PL) é confirmado como candidato ao Senado (Mauricio Ferry/DP Foto)
O presidenciável Flávio Bolsonaro telefonou logo depois que a convenção do PL em Pernambuco foi encerrada. Queria saber como tinha sido o evento. A essa altura, o deputado federal Mendonça Filho externava o entusiasmo de quem assume um desafio que é seu propósito.
A decisão levara alguns dias e uma dezena de consultas. Era por volta das 5h30 quando o ex-governador de Pernambuco bateu o martelo consigo mesmo sobre o projeto majoritário de concorrer ao Senado. “Acordei cedo, vendo o nascer do sol na praia de Boa Viagem e pensei: ´Vou para essa batalha e vou ganhar´”, descreveu o ex-governador, à coluna, ao ser indagado sobre o momento em que teve certeza absoluta de que deveria mesmo largar a corrida pela reeleição e entrar no páreo da Casa Alta.
O projeto tem a benção da governadora Raquel Lyra? De pronto, Mendonça devolve de forma incisiva: “Não tem nada a ver com Raquel. Eu tenho 60 anos de idade, autonomia, não dependo disso para viver, não faço política na troca”. Minimiza, assim, os rumores de que a construção teria passado pelo crivo da gestora. Após a notícia de que ele decidira concorrer, um zum-zum-zum crescente se deu nos bastidores em torno disso.
“Pouca gente em Pernambuco teria disposição de entregar uma eleição de deputado federal organizada”, pondera, tendo a delicadeza de sublinhar os laços com a amiga: “Sou amigo de Raquel, fui raquelista, Raquel Lyra Futebol Clube, já mandei fazer camisa com a cara dela”.
Na sequência, Mendonça adverte: “Mas sou um cara super resolvido”. E, taxativo, relata: “Minha decisão foi solitária; eu, meu travesseiro e Deus”. Não teve tanto tempo assim para pensar, a contar do dia que Miguel retirou sua pré-candidatura à Casa Alta, o que se deu no último sábado (1) de madrugada.
Na última segunda (03), o martelo fora batido. “Depois desse episódio de Miguel, eu fiquei avaliando, avaliando”, relata à coluna. Ao telefone, Flávio Bolsonaro, ontem, animado conclamou: “Vamos para cima e vamos ganhar!”.
Direita lúcida
Presidente do PL no Estado, Anderson Ferreira, ao aportar com Mendonça na convenção do PL definiu o candidato ao Senado como “direita lúcida”. Indagado, preferiu deixar no ar quem seria a parte não lúcida da legenda. Mas a alfinetada se deu no âmbito de integrantes do Estado.
Na linha
Flávio Bolsonaro também ligou para Anderson Ferreira assim que o evento acabou. Pretende marcar ato de campanha em breve com Mendonça Filho em Pernambuco. “Flávio está muito motivado com o projeto de Mendonça”, reporta Anderson à coluna.
Bases
Com Mendonça concorrendo ao Senado, Anderson Ferreira herdou o apoio do prefeito de Vertentes, enquanto Augusto Coutinho vai contar com os votos de Belo Jardim e Fernando Filho também foi contemplado. A Ricardo Teobaldo, couberam votos de Bezerros.
Partido 1
Copresidente nacional da União Progressista, Ciro Nogueira preside, nesta quarta-feira (05), como a coluna antecipara, a convenção da federação no Estado. Ontem, após declarar apoio a Mendonça Filho, Miguel Coelho foi questionado, em coletiva, se havia possibilidade de Antonio Rueda estar presente também. O ex-prefeito de Petrolina endureceu o tom: “Ele tem mais o que fazer!”.
Partido 2
A pergunta se dá na esteira de um argumento que foi muito repisado nas hostes governistas e também no grupo dos Coelho, de que caberia à nacional da federação resolver a questão entre ele e Eduardo da Fonte. Mas isso não se consolidou.
Respingo
Integrantes da Frente Popular aguardavam, até ontem, retorno sobre a suplência de Marília Arraes, que foi oferecida a ex-senador Fernando Bezerra Coelho. Interlocutores de João Campos e da pedetista definiram como “indelicadeza” o fato de Miguel Coelho ter se referido ao convite, ontem, durante entrevista, como “foram mais especulações”.