Plínio Pacheco, o homem, o mito e uma paixão
Bom sempre lembrar que a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém transcende uma apresentação teatral, pois é muito mais que isso, movimenta a economia e projeta Pernambuco como o verdadeiro celeiro cultural que enriquece a cada ano
Publicado: 25/03/2026 às 10:49
Plínio Pacheco foi um jornalista e diretor teatral brasileir (ACERVO DA SOCIEDADE TEATRAL DE FAZENDA NOVA)
O homem que literalmente deu asas à imaginação e continua consolidando a fé cristã, através do espetáculo, Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, veio de longe para consagrar Pernambuco, mais precisamente, em Fazenda Nova, município de Brejo da Madre de Deus, como o já consagrado maior destino religioso de todos os tempos, encenado em um amplo anfiteatro ao ar livre, que anualmente se transforma em um verdadeiro túnel do tempo, atraindo turistas de todas as regiões do Brasil e muitos também do exterior, resgatando os momentos mais sagrados da vida do filho do Criador, provocando lágrimas dos que assistem e gratidão dos que tiveram pedidos atendidos pela fé, pois são muitos os testemunhos de cura após o espetáculo.
Entretanto, a história do idealizador do grande espetáculo começou longe, exatamente em Santa Maria, RS, distante cerca de 3.500km do local que se tornaria mundialmente conhecido através da realização de sua visão religiosa. Uma saga, um desafio, um sonho realizado que transformou a paixão de um homem, poeta, jornalista e visionário e criou um mito religioso que, se vivo, completaria cem anos em 30 de outubro deste ano.
Militar da Força Aérea Brasileira na juventude, Plínio Pacheco Clementino de Oliveira, participou da construção da Base Aérea de Santa Maria, sua cidade natal mas o chamado da produção teatral e cultural foi mais forte do que o ronco dos motores das aeronaves e logo passou a construir seu sonho, escolhendo Pernambuco como o lugar ideal para plantar suas ideias e dar asas à sua fértil imaginação. A mudança dá nascimento ao homem que transformaria o semiárido pernambucano em um local de peregrinação e fé durante a Semana Santa. Muito mais, transformaria vidas, impulsionaria o turismo, gerando renda e promovendo a inclusão social, uma fórmula perfeita que alinha todos os melhores valores humanos da cristandade. Egresso da vida militar, adotou apenas Plínio Pacheco em seu cartão de visitas e assim ficou internacionalmente conhecido. Mas não é apenas o espetáculo que destaca a genialidade de Plínio Pacheco, sua personalidade, bom humor e visão de um futuro solidário, um mundo onde a equidade fosse não apenas um ideal, mas uma verdadeira realidade.
A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém já um patrimônio de Pernambuco, pela grandeza, pelo envolvimento multicultural, pela inclusão de figurantes locais e principalmente como consolidador da fé cristã, um cenário obrigatório para qualquer pessoa, um acréscimo à cultura que só enriquece os que assistem, tamanha sua grandiosidade e apelo religioso. Tudo o que Plínio Pacheco idealizou foi materializado ao longo dos anos e aperfeiçoado ano a ano, ficada melhor a cada edição, tendo o formato atual iniciado em 1968. Dos cenários mais simples aos efeitos especiais proporcionados pela tecnologia, mas sempre tendo a fé cristã como principal ingrediente.
Atualmente atores globais dão mais visibilidade e aumentam o alcance na divulgação da encenação. Além de criar o espetáculo, Plínio Pacheco se preocupou com o futuro, treinando seu filho Robinson Pacheco para sucedê-lo e o resultado é um sucesso continuado, pois, tal pai; tal filho. Igualmente talentoso, Robinson Pacheco atua na coordenação geral do evento, tendo na direção o consagrado Lúcio Lombardi, ambos comandando um elenco digno de Prêmio Oscar da dramaturgia nacional, com Dudu Azevedo, no papel de Jesus; Beth Goulart, como Maria; Marcelo Serrado, Pilatos, além de outros grandes nomes. Impossível imaginar a magnitude da carga emocional que dominará o teatro, devido ao centenário de nascimento do idealizador, o eterno Plínio Pacheco, que certamente estará lá, invisível aos olhos, mas sentido pelos muitos corações. Está 57ª edição promete muitas emoções.
Um dos grande diferenciais da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém é a integração de artistas famosos com centenas de figurantes do próprio local, muitos deles realizando um sonho acalentado há anos e só possível de realizar uma única vez ao ano, mas a experiência fica gravada pelo resto da vida.
Bom sempre lembrar que a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém transcende uma apresentação teatral, pois é muito mais que isso, movimenta a economia e projeta Pernambuco como o verdadeiro celeiro cultural que enriquece a cada ano através de suas múltiplas expressões de arte. É Pernambuco das paixões, da multiculturalidade; Pernambuco guerreiro e histórico que tem a honra de presentear turistas de todo o Brasil e do mundo com o maior espetáculo a céu aberto, no ano que homenageia um gaúcho ímpar que escolheu a terra dos altos coqueiros para expressão maior da sua genialidade. Muito obrigado, Plínio Pacheco.
Luiz Felipe Moura - Jornalista e Presidente ABRAJET-PE