Queremos a liberdade da vida
A luta das mulheres no Brasil é em favor da erradicação dessa epidemia de ódio ao feminino que ultrapassou todos os níveis de barbárie em nosso país
Publicado: 30/03/2026 às 07:34
A luta das mulheres no Brasil é em favor da erradicação dessa epidemia de ódio ao feminino que ultrapassou todos os níveis de barbárie em nosso país (Freepik)
Enquanto me preparo para mais uma homenagem à memória de uma aluna vítima de feminicídio percebo a estupidez da injustiça de tudo isso… A luta das mulheres no Brasil é em favor da erradicação dessa epidemia de ódio ao feminino que ultrapassou todos os níveis de barbárie em nosso país.
Esse ódio não é recente! Na verdade é oriundo de um passado em que nós mulheres éramos assujeitadas e meramente destinatárias da luxúria masculina e de seus desmandos.
O mundo mudou, em parte pela organização das mulheres coletivamente em prol da luta pelo voto, pela cidadania, pela equidade de gênero e pela democracia tão importante para o respeito dos direitos humanos das mulheres.
Contudo é relevante informar que, apesar de tantos avanços na organização da luta contra a misoginia, seguimos vivas por conta da “liberalidade” dos homens que amamos… Ou seja, a vida de cada uma de nós depende da “permissão masculina” para que possamos sobreviver a objetificação, a posse e ao sentimento – tão masculino – de que são donos de nossas vidas.
Em pleno século XXI, dominado pelo avanço tecnológico, se faz preciso dizer que somos livres para escolher nossos caminhos e assumir as rédeas das nossas vidas sem controle, opressão ou misoginia!
Em pleno século que avançamos para viajar pelo espaço como algo corriqueiro e comum, ainda se faz preciso dizer o óbvio que temos o direito à recusa, a autonomia afetiva e de sermos donas dos nossos desejos e destinos. E que não vamos pedir licença aos homens para nada!
A ideologia do ódio às mulheres precisa ser punida! Os “doutrinadores da seita que professa o ódio ao feminino” precisam ser responsabilizados pela forma como professam e incentivam o ódio e a violência! A internet não pode seguir sendo “terra sem lei”! E a morte de mulheres para resguardar o ego dos assassinos não pode ser normalizada porque não é normal o feminicídio!
Uma pergunta que não cala por que cada mulher conhece uma vítima de violência de gênero e os homens nunca conhecem um ofensor?!
Nós mulheres estamos cansadas de morrer todo dia um pouco mais na vida ceifada de nossas avós, mães, irmãs, filhas, tias, sobrinhas, primas e amigas! O que exigimos é um pacto pela dignidade existencial das mulheres! Parem de nos matar… Nós mulheres fizemos um pacto que não vamos aceitar morrer!
Carolina Ferraz - Professora da Universidade Católica de Pernambuco, advogada feminista e ativista em direitos humanos