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A competitividade das empresas dependerá da compreensão da Reforma Tributária

Durante muito tempo, falar em Reforma Tributária significou discutir alíquotas, carga de impostos e mudanças na legislação. Mas essa visão já não é suficiente

Paulo Marostica*

Publicado: 30/07/2026 às 07:30

Empresa/Reprodução/Freepik

Empresa (Reprodução/Freepik)

Durante muito tempo, falar em Reforma Tributária significou discutir alíquotas, carga de impostos e mudanças na legislação. Mas essa visão já não é suficiente. A maior transformação trazida pelo novo sistema tributário não está apenas na forma como os tributos serão cobrados, e sim na maneira como as empresas precisarão administrar seus negócios.

Ainda existe a percepção de que a reforma interessa apenas aos departamentos fiscal e contábil. Esse é um dos maiores equívocos que empresários e gestores podem cometer. Na prática, ela exigirá uma mudança de mentalidade que alcança praticamente todas as áreas da organização, do comercial ao financeiro, passando por compras, tecnologia, controladoria e planejamento estratégico.

A competitividade das empresas passará a depender de decisões muito mais qualificadas. A escolha de fornecedores, por exemplo, deixará de considerar apenas preço, prazo e qualidade. Com o novo modelo de tributação sobre o consumo, o aproveitamento dos créditos tributários também influenciará essa análise. Em muitos casos, o fornecedor aparentemente mais barato poderá deixar de ser a opção mais vantajosa para o negócio.

Essa nova lógica também modifica a formação de preços. Durante anos, as empresas construíram suas estratégias comerciais com base em um sistema tributário conhecido, ainda que complexo. Agora, o impacto dos créditos fiscais fará com que os preços deixem de ser absolutos para se tornarem relativos. A análise de cada operação exigirá uma visão mais ampla, considerando toda a cadeia de compras e vendas.

Esse cenário impõe um desafio importante para os gestores. Não será suficiente delegar a Reforma Tributária ao contador ou ao consultor jurídico. O empresário precisará compreender como as mudanças afetam diretamente suas decisões comerciais, financeiras e estratégicas. Afinal, uma escolha equivocada hoje poderá representar perda de margem, redução da competitividade ou dificuldade para manter clientes no futuro.

Esse alerta vale inclusive para empresas enquadradas no Simples Nacional. Muitos empreendedores acreditam que, por permanecerem nesse regime, sofrerão poucos impactos. No entanto, essas empresas continuam inseridas nas cadeias de fornecimento. Se não conseguirem gerar os créditos tributários esperados pelos seus clientes, poderão perder espaço para concorrentes mais preparados.

Outro aspecto que merece atenção é o período de transição. Embora a implantação das novas regras aconteça de forma gradual, a preparação precisa começar desde já. A revisão de processos internos, contratos, sistemas de gestão e políticas de precificação demanda planejamento, investimentos e, principalmente, tempo. Esperar que todas as regras estejam definitivamente implementadas para iniciar essa adaptação pode custar caro.

Mais do que uma Reforma Tributária, o Brasil vive uma transformação na forma de fazer negócios. As empresas que compreenderem rapidamente essa nova dinâmica terão condições de negociar melhor, organizar seus processos com mais eficiência e construir vantagens competitivas em um mercado cada vez mais exigente.

No fim das contas, a Reforma Tributária deixará um importante aprendizado para o ambiente empresarial: a competitividade dependerá cada vez menos de pagar menos impostos e cada vez mais da capacidade de compreender as regras do jogo e transformá-las em estratégia.

 

* Contador, tributarista e sócio da Matriz Contábil

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