Fornecedores de cana de Pernambuco articulam projeto para amenizar impactos do tarifaço
Em Pernambuco, a redução dos preços do açúcar e da cana moída gerou prejuízo de R$ 500 milhões ao setor
Publicado: 05/02/2026 às 21:23
Representantes do setor da cana se reuniram nesta quinta-feira (5) com o secretário da Casa Civil do estado, Túlio Villaça (Foto: Divulgação)
Os fornecedores de cana-de-açúcar de Pernambuco estão articulando um projeto para a aquisição e entrega de adubo nos municípios com produções impactadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. O objetivo é aumentar a produtividade e equilibrar os custos da produção. Sem adubo a produtividade pode cair até 20% ou chegar a 30%
Para debater o projeto, representantes do setor se reuniram com o secretário da Casa Civil, Túlio Villaça, nesta quinta-feira (5), no Palácio do Campo das Princesas.
O presidente da Associação dos Fornecedores de Cana-de-Açúcar (AFCP), Alexandre Andrade Lima, explica que, além das barreiras comerciais dos EUA, o setor da cana também foi impactado por outros fatores.
“A gente teve um prejuízo nos preços da cana moída, de agosto a dezembro de 2025, de R$ 500 milhões. Começou a contar a partir do tarifaço de Trump, depois veio o preço do mercado internacional de açúcar, a Bolsa de Nova York. Os preços caíram muito, o que reflete diretamente no preço da matéria-prima, que é a cana-de-açúcar”, disse.
USINAS
Segundo dados da AFCP, de agosto a dezembro de 2025, a moagem das 13 usinas reduziu 18,3% em comparação ao mesmo período, reflexo da baixa no preço, cenário de queda geralmente apresentado em tempo de seca.
Mesmo com custos de produção maiores, o preço da cana reduziu 20,4%, com a tonelada comercializada por R$ 137,23 em média, ante R$ 172,46 do período anterior. Em Pernambuco, são 13 usinas ativas no estado e mais de 10 mil fornecedores de cana de açúcar.
O presidente da AFCP explica que o programa para a distribuição do fertilizante pelo governo não é algo novo, já aconteceu nos governos de Jarbas, Miguel Arraes e Eduardo Campos.
“Como a crise tinha passado, nunca mais a gente tinha tido essa ajuda, mas agora a gente recorreu ao governo do estado para não ter uma queda muito grande na produção na próxima safra, em decorrência de um produtor não conseguir adubar o canavial”, detalha.
A expectativa é de que 36 mil toneladas do fertilizante sejam distribuídas em 50 municípios atingidos, sendo 25 na Zona da Mata Norte e outros 25 na Zona da Mata Sul. O projeto está sendo avaliado pelo Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e deve ser apresentado também na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), na próxima segunda-feira (9).
O projeto tem apoio do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE). “É um projeto emergencial em função da manutenção da atividade produtiva dos fornecedores de cana, que são responsáveis por 50% das matérias primas que geram o produto final através das usinas. O projeto crucial para que a gente mantenha um volume de produção na faixa de 13 milhões de toneladas,”, destaca o presidente do Sindaçúcar, Renato Cunha. Segundo ele, o ponto de equilíbrio da produção no estado é de cerca de 16 milhões de toneladas da cana.