Mais de 60% das empresas do Polo preveem impacto negativo após fim da '"taxa das blusinhas"
Para 83,3% dos confeccionistas, o fim da tributação deve ampliar a disputa com mercadorias estrangeiras, especialmente aquelas comercializadas por plataformas de comércio eletrônico
Publicado: 30/07/2026 às 19:12
Pesquisa apontou que empresários do Polo de Confecções do Agreste temem efeito da isenção sobre a chamada "taxa das blusinhas" (Foto: Divulgação)
O fim da tributação federal sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como "taxa das blusinhas", já altera as projeções do Polo de Confecções de Pernambuco. Um levantamento aponta que 61,9% das empresas esperam algum impacto sobre os empregos, seja com a suspensão de novas contratações ou mesmo demissões, enquanto metade prevê reduzir a produção diante da expectativa de maior concorrência com produtos importados.
Os dados fazem parte do Índice de Confiança do Empresário do Setor Têxtil e de Confecções (Icetec), elaborado pelo Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE), em parceria com a Macro BI Consultoria. A pesquisa avaliou a percepção dos empresários após o Governo Federal revogar, em maio, por meio de Medida Provisória, a alíquota federal de 20% incidente sobre compras internacionais, medida que ficou conhecida como "taxa das blusinhas".
A principal preocupação dos empresários está relacionada ao aumento da concorrência com produtos importados. Para 83,3% dos confeccionistas, o fim da tributação deve ampliar a disputa com mercadorias estrangeiras, especialmente aquelas comercializadas por plataformas de comércio eletrônico.
Entre os impactos esperados estão a redução das vendas, apontada por 33,3% dos entrevistados; a pressão para diminuir preços no mercado nacional, citada por 31%; e a redução das margens de lucro, mencionada por 19% dos empresários.
Produção e empregos sob pressão
A redução do quadro de funcionários aparece como uma das principais estratégias de sobrevivência para 33,3% das empresas diante de um cenário de maior concorrência. Segundo divulgou o governo do estado, o polo garante cerca de 200 mil empregos diretos e indiretos.
Apesar da preocupação, o levantamento indica que o setor ainda busca se adaptar ao novo ambiente comercial. Apenas 31% dos empresários afirmam estar preparados para enfrentar a ampliação da concorrência, enquanto 66,6% consideram estar parcialmente ou pouco preparados.
Diante das mudanças, a necessidade de medidas governamentais de apoio é apontada como prioridade por 95,2% dos entrevistados. Entre as principais demandas estão a redução da carga tributária, citada por 52,4% dos empresários; linhas de crédito para capital de giro (47,6%); fortalecimento dos centros de compras do Polo (38,1%); incentivos à indústria local (28,6%); investimentos em inovação tecnológica (26,2%) e programas de exportação (21,4%).
No campo regulatório, 38,1% defendem a criação de novos mecanismos de proteção à indústria nacional, enquanto 28,6% sugerem uma revisão parcial da medida. Para o diretor-presidente do NTCPE, Pedro Miranda, os resultados reforçam a necessidade de ações conjuntas entre setor produtivo, poder público e instituições de apoio para garantir a competitividade do Polo de Confecções.
“O Polo de Confecções é um motor socioeconômico vital para Pernambuco. Os resultados do Icetec reforçam a necessidade urgente de combinarmos inovação, produtividade e políticas que equilibrem as regras de jogo para preservar a competitividade e os empregos da nossa região”, afirmou.
Segundo Miranda, o Governo de Pernambuco já iniciou uma agenda estratégica com empresários do setor para reduzir possíveis impactos da mudança e enfrentar a concorrência de produtos importados.
Polo de Confecções como força econômica de Pernambuco
O Polo de Confecções do Agreste é considerado um dos principais arranjos produtivos do Estado, reunindo milhares de empresas e trabalhadores ligados à cadeia têxtil e de moda.
O NTCPE, responsável pela gestão do Marco Pernambucano da Moda, atua na promoção da inovação, cooperação e integração entre empresas, universidades, poder público e entidades de fomento, com unidades em Olinda e Caruaru.