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Economia
CRISE

Crise no preço da cana pode levar produtores de Pernambuco a suspender fornecimento às usinas

Canavieiros alegam prejuízo de R$ 75,73 por tonelada e planejam suspensão de fornecimento a partir de 14 de setembro, caso não cheguem a acordo com representantes das indústrias sucroenergéticas

João Tavares - Especial para o Diario

Publicado: 02/09/2026 às 20:02

Produção de cana-de-açúcar /Elza Fiúza/Agência Brasil

Produção de cana-de-açúcar (Elza Fiúza/Agência Brasil)

Produtores de cana-de-açúcar de Pernambuco ameaçam suspender o fornecimento às usinas a partir do próximo dia 14 caso as reivindicações da categoria não sejam atendidas nas negociações do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool de Pernambuco (Consecana/PE). A decisão foi discutida nesta terça-feira (1º), durante reunião na Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), diante da diferença entre o custo de produção e o valor recebido pela tonelada da matéria-prima.

Segundo dados apresentados pelo setor, a tonelada da cana está sendo comercializada nesta semana por R$ 139,27, enquanto o custo de produção estimado para a safra 2025/26 é de R$ 215. Com isso, os produtores calculam um prejuízo de R$ 75,73 por tonelada.

O levantamento sobre os custos foi realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP).

Para o presidente da AFCP, Alexandre Andrade Lima, a situação enfrentada pelos produtores é grave e pode comprometer a continuidade da atividade no estado. “A situação é bem grave. Ultimamente, está sendo melhor parar do que continuar do jeito que está. Está sendo mais benéfico ficar com as usinas fechadas e sem produzir”, lamenta.

Ainda segundo Alexandre, outros estados também enfrentam dificuldades, mas apresentam valores diferentes na comercialização da cana. Ele cita Alagoas como exemplo e afirma que o preço da tonelada no estado está cerca de R$ 16 acima do praticado em Pernambuco. “Alagoas foi um dos lugares que também se afetaram bastante, a tonelada está R$ 16 a mais do que em Pernambuco.”

Reuniões antes de possível suspensão

Antes da data prevista para a suspensão do fornecimento, produtores e representantes das usinas devem se reunir na próxima quarta (9), na AFCP, para tentar chegar a uma solução negociada para a crise.

O encontro ocorrerá cinco dias antes da reunião do Consecana/PE, marcada para 14 de setembro, quando produtores e representantes das indústrias sucroenergéticas devem discutir os valores de referência para a cana-de-açúcar.

O Consecana é o fórum que reúne representantes dos produtores rurais e das usinas para calcular e definir os valores de referência utilizados na comercialização da cana.

A categoria defende que os preços pagos pelas usinas sejam ajustados diante dos custos atuais de produção. Segundo os produtores, o cenário tem sido agravado pela alta dos insumos utilizados no campo.

Apesar da situação, o setor também conta com medidas emergenciais dos governos estadual e federal, como a distribuição de fertilizantes e a subvenção destinada aos produtores. Segundo a AFCP, as ações têm ajudado a evitar um agravamento ainda maior da crise, mas não resolveram a diferença entre o custo de produção e o valor recebido pela cana.

Posição das usinas

O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Augusto Pontes Cunha, contestou alguns pontos apresentados pelos produtores. Segundo ele, não há reunião entre produtores e representantes das usinas marcada para o dia 9 e os valores praticados pelas usinas pernambucanas seriam superiores aos de Alagoas.

“Não existe reunião marcada para dia 9 e as usinas de PE sempre apresentam preços maiores do que Alagoas”, afirmou Renato.

O dirigente também explicou que, segundo a entidade, a definição dos preços da cana é feita conjuntamente pelas duas categorias que integram o Consecana/PE, com base em cálculos elaborados pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).

“Quem estabelece preços de cana são as duas categorias com base em cálculos elaborados pela universidade Esalq SP há muitos anos. O entendimento é rotina no Consecana de Pernambuco e até outros estados usam as normas do Consecana de Pernambuco”, disse.

Renato ainda destacou que eventuais convergências entre produtores e indústria podem contribuir para a atividade econômica do setor. “As convergências sempre favorecem a geração de renda e manutenção de empregos”, afirmou.

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