Crise energética em Cuba atinge vôos internacionais e fecha hotéis
De acordo com o governo cubano, a escassez de combustível é atribuída ao reforço da pressão energética dos Estados Unidos
Publicado: 10/02/2026 às 17:50
Havana, Cuba (YAMIL LAGE / AFP)
As autoridades de Cuba alertaram as companhias aéreas internacionais que deixará de ter combustível disponível para reabastecer os seus aviões. A maioria dos voos internacionais que chegam a Havana já está sendo cancelado, que é fundamental para a indústria do turismo, o seu principal motor econômico. Além disso, o governo precisou também fechar algumas unidades hoteleiras para colocar em prática um plano de emergência para enfrentar a crise energética que afeta a ilha.
Segundo o governo cubano, a escassez de combustível é atribuída ao reforço da pressão energética dos Estados Unidos, uma vez que o presidente norte-americano, Donald Trump, assinou no final de janeiro uma ordem que prevê a imposição de tarifas a países que forneçam petróleo a ilha, alegando questões de segurança nacional. A decisão aconteceu depois de Washington ter anunciado o fim do fornecimento de petróleo venezuelano a Cuba.
Cuba produz cerca de um terço das suas necessidades energéticas, dependendo o restante de importações, especificamente a Venezuela que, em 2025, representaram aproximadamente 30% do total e, em menor escala, do México e da Rússia.
O embargo petrolífero dos EUA a Cuba, após a queda de Nicolás Maduro, aliado de Havana e seu principal fornecedor, ampliou ainda mais a situação da crise energética que a ilha enfrenta há três anos. A falta de combustível trouxe nos últimos tempos um impacto direto na economia devido à queda da produção de eletricidade, que sofre com apagões diários que ultrapassam às 20 horas. O turismo, tradicional carro-chefe da economia cubana, registrou em 2025 o pior desempenho desde 2002, com 1,8 milhões de visitantes internacionais, face aos 4,7 milhões registrados em 2018. O iminente colapso das infraestruturas de energia contraiu e agora asfixia a economia do país, com a aceleração da inflação, prejuízos ao setor turístico, aos os transportes públicos, falta de abastecimento de bens, bancos abertos por menos tempo, cancelamentos de eventos culturais entre outros danos.
A administração cubana tenta neste contexto buscar soluções alternativas e foi anunciado o racionamento de combustíveis, incentivo ao home office, aulas semipresenciais e redução de horários em serviços públicos. Além disso, esta em curso o encerramento de alguns hotéis e a transferência de turistas estrangeiros para outras unidades, como parte de um planejamento para reduzir o consumo energético e concentrar a operação turística. O vice-primeiro-ministro e ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Oscar Pérez-Oliva Fraga, afirmou que foi desenhado um plano no turismo para compactar as instalações turísticas e aproveitar a alta temporada que decorre neste momento no país. Apesar de não ter sido detalhado os contornos dessa compactação, as medidas estão atingindo, em especial, as unidades em Varadero e no norte da ilha, incluindo hotéis operados por cadeias internacionais.
O presidente de Cuba Miguel Díaz-Canel apontouu que o plano de resposta se inspira nas estratégias do “Período Especial” dos anos 1990, prevendo ações de autosuficiência e racionamento extremo em caso de interrupção total do fornecimento energético.
Por sua vez, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, prometeu que enviará ajuda a Cuba e utilizará todos os meios diplomáticos junto a Casa Banca para retomar o envio de petróleo a ilha. "Uma coisa é discordar das políticas do regime cubano. Mas a sua oposição não deve afetar o povo", disse Sheinbaum.
Enquanto, a China reafirmou seu apoio a Cuba, seu aliado estratégico, tendo já designado um pacote emergencial de 80 milhões de dólares, doação de 60 mil toneladas de arroz e suporte técnico e energético. Pequim tem enviado peças e acessórios para equipamentos de geração de energia e, desde 2024, atua na construção de parques fotovoltaicos para reduzir a dependência cubana de combustíveis importados. O Ministério das Relações Exteriores chinês ainda indicou que se opõe a sanções externas a ilha e que apoia firmemente sua soberania nacional e segurança.
As Nações Unidas também reiterou sua preocupação com a crescente escassez de combustível em Cuba e o impacto na população. “Estamos trabalhando com o governo cubano para prestar mais apoio, com alimentos, água e cuidados de saúde”, comunicou Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres