Irã ameaça destruir a economia global
O regime iraniano também reivindicou a autoria de vários ataques contra navios comerciais no Estreito de Ormuz
Publicado: 11/03/2026 às 15:47
Bandeira do Irã (Arquivo/AFP)
Nesta quarta-feira (11), a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou os Estados Unidos e Israel com uma guerra de desgaste e a destruição da economia global.
"Eles (Estados Unidos e Israel) devem considerar a possibilidade de estarem envolvidos numa guerra de desgaste a longo prazo que destruirá toda a economia americana, assim como a economia global, e levará à erosão de todas as suas capacidades militares até à sua destruição total. Esperem petróleo a 200 dólares por barril", declarou o conselheiro do comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Ali Fadavi.
Neste cenário de escalada militar regional e ameaças de Teerã de atingir interesses econômicos e centros financeiros dos EUA e de Israel no Golfo, o banco norte-americano Citi evacuou hoje os seus escritórios em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, revelou uma fonte bancária a agência de notícias francesa France-Press (AFP).
O regime iraniano também reivindicou hoje a autoria de vários ataques contra navios comerciais no Estreito de Ormuz. O exército do Irã avisou que não permitirá que um único litro de petróleo passe pelo Estreito em benefício dos EUA, Israel ou dos seus parceiros, e que qualquer embarcação ligada a estes países será um alvo legítimo. O Exército iraniano afirmou ainda ter atacado inúmeros alvos no território israelense, incluindo a direção dos serviços secretos militares e uma base naval.
“Os agressores americanos e os seus parceiros não têm o direito de passar por esta via navegável de importância estratégica. Os ataques contra alvos norte-americanos nos países do Oriente Médio continuarão. O truque de esconder o seu exército covarde em locais públicos e infraestruturas nos países da região não os salvará do atoleiro em que se meteram”, afirmou Ebrahim Zolfagari, porta-voz do Quartel-General Central em Khatam al-Anbia, que coordena as ações do exército iraniana com a Guarda Revolucionária.
Enquanto isso, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse hoje que não acreditava que Teerã conseguiu colocar minas no Estreito de Ormuz e que a guerra no país terminará em breve. "Destruímos praticamente todos os seus navios de minagem numa noite. Praticamente toda a sua marinha desapareceu", garantiu, sugerindo que cerca de 60 barcos iranianos tinham sido atingidos. Trump ainda encorajou os petroleiros a atravessarem o Estreito de Ormuz, insistindo que é seguro, apesar dos ataques a três navios no início do dia. "Acho que eles devem usar o estreito", enfatizou.
Por sua vez, o presidente da França, Emmanuel Macron, sugeriu hoje ao G7, que se reuniram por videoconferência, para que se abstenham de restrições às exportações de petróleo e gás que possam desestabilizar os mercados. Macron instou os membros do G7 a se coordenarem para restabelecer o mais depressa possível a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, a navegação na única saída do Golfo Pérsico para o mar aberto.
O Comando Central dos EUA confirmou na terça-feira (10) à noite ter destruído diversos navios de guerra iranianos perto do Estreito, incluindo 16 lança-minas. Além disso, o Comando emitiu um comunicado hoje para todos os portos civis na costa do Irã no Estreito de Ormuz, uma vez que acusa Teerã de colocar navios de guerra nestes portos civis e que, portanto passou a ser um alvo legítimo.
Mas, o porta-voz das Forças Armadas do Irã, Abolfazl Shekarchi, negou que haja navios da Guarda Revolucionária nos portos econômicos do país, ou seja, não designados para fins militares. “Se os nossos portos e docas são ameaçados, todos os portos e docas da região serão os nossos alvos legítimos", prometeu.
Segundo uma análise do jornal New York Times, os ataques do Irã já atingiram ou danificaram 17 locais dos Estados Unidos no Oriente Médio. A avaliação foi realizada com base em análises de satélites com recurso a vídeos, mas ainda com declarações oficiais. Já o canal ABC News avançou que o FBI alertou recentemente as autoridades policiais da Califórnia para a intenção do Irã de atacar o estado com drones em reação à guerra contra o país.
Apelo da ONU
O chefe humanitário das Nações Unidas, Tom Fletcher, declarou que a ONU apela a todas as partes envolvidas para que garantam rotas que permitam a passagem de ajuda humanitária
“O conflito no Oriente Médio está ameaçando as cadeias de abastecimento e prejudicando as operações humanitárias em todo o mundo.Estou muito preocupado com os custos dos alimentos, dos combustíveis e dos fertilizantes. Receio que uma escalada ainda maior prejudique outras rotas de abastecimento. Tudo isto tem um impacto direto nos nossos fornecimentos humanitários. Mas, de forma mais ampla, eleva os preços e, consequentemente, leva mais pessoas a uma situação de maior necessidade", advertiu.