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Comissário da UE da Economia alerta que guerra pode levar a estagflação no bloco

A declaração do comissário surge após uma reunião urgente dos ministros de Economia da UE sobre o aumento dos preços da energia causado pela guerra do Irã

Isabel Alvarez

Publicado: 28/03/2026 às 18:56

Comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis/Kenzo Tribouillard/AFP via Getty Images

Comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis (Kenzo Tribouillard/AFP via Getty Images)

O comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, disse que a economia da União Europeia corre o risco de entrar em estagflação, que é um cenário econômico raro e grave que combina alta inflação, baixo crescimento econômico (estagnação do PIB) e alto desemprego.

A declaração do comissário surge após uma reunião urgente dos ministros de Economia da UE sobre o aumento dos preços da energia causado pela guerra do Irã.

"As perspectivas estão obscurecidas por uma profunda incerteza, mas é claro que corremos o risco de um choque estagflacionário, ou seja, uma situação em que um crescimento mais lento coincide com uma inflação mais elevada. Isto acontece mesmo que as perturbações no abastecimento energético sejam relativamente de curta duração. Nesse cenário, a nossa análise sugere que o crescimento da UE em 2026 poderá ser cerca de 0,4 pontos percentuais inferior ao previsto nas nossas previsões econômicas do outono, e a inflação poderá ser até um ponto percentual mais elevada", afirmou Dombrovskis.

Por sua vez, a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, avisou que irá solicitar formalmente à União Europeia a suspensão da aplicação do imposto de fronteira sobre o carbono do bloco para fertilizantes, tendo em conta a elevação do preço devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Cerca de um terço do comércio mundial de fertilizantes trafega pelo Estreito, rota marítima crucial para o envio de ureia, amônia e enxofre produzidos no Oriente Médio. Interrupções nessa passagem afetam gravemente a oferta global, com destaque para a dependência de 71% na importação de amônia asiática.

O Estreito de Ormuz também foi o principal tema da reunião dos chefes da diplomacia das nações do G7, grupo das sete economias mais industrializadas do mundo. No final do encontro, o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, declarou que a guerra deverá estar concluída em duas a quatro semanas, não meses e que os EUA não vão necessitar de "tropas no terreno" para atingir os seus objetivos. Os ministros do G7 sublinharam a absoluta necessidade de garantir a livre passagem e em segurança no Estreito de Ormuz, enquanto as Nações Unidas anunciou a formação de uma força-tarefa para o Estreito, liderada por Jorge Moreira da Silva, Diretor Executivo do Escritório das Nações Unidas para Serviços de Projetos (UNOPS) e Subsecretário-Geral da ONU.



A União Europeia também anunciou que os ministros da Energia dos países do bloco Europeia vão realizar uma reunião extraordinária sobre o impacto da guerra na segurança do abastecimento energético europeu.

Segundo revelou o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, existem razões que indicam que poderá ocorrer uma escalada da guerra no Oriente Médio nos próximos dias. "Tenho motivos para acreditar, também com base nas informações que recebemos dos nossos aliados, que é improvável que haja estabilização nos próximos dias. Pelo contrário, poderá ocorrer uma nova escalada", avançou.

Já o presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, defendeu que a Europa deve estar alenta e pronta para responde aos efeitos econômicos do conflito no Oriente Médio, reconhecendo que é uma crise preocupante para o fornecimento energético e a estabilidade econômica do bloco. “A questão-chave é a duração e intensidade da crise, uma vez que serão determinantes para a escala do impacto econômico. A incerteza se mantém elevada e a Europa deve permanecer alerta e pronta para responder. Um mês após o início do conflito, os seus efeitos já começam a se refletir na economia real dados os custos operacionais para as empresas, os aumentos das faturas da energia e as pressões inflacionárias conjugadas com riscos de baixo crescimento”, apontou.


A Organização Mundial do Comércio (OMC) também diz que o cenário para a segurança alimentar global é de alerta elevado, impulsionado por conflitos geopolíticos e desaceleração do comércio mundial. O conflito tem afetado o mercado global de fertilizantes, com a redução da oferta e o aumento dos preços, o que compromete a produção agrícola e eleva a inflação dos alimentos.

A OMC prevê uma forte desaceleração do comércio mundial de mercadorias em 2026, afetando a distribuição e acessibilidade de produtos essenciais. A combinação de restrições de oferta, preços elevados de combustíveis e de recursos agrícolas aumenta o risco de fome e insegurança alimentar mundial. A OMC reduziu a previsão de crescimento do comércio mundial de mercadorias para cerca de 1,9% em 2026, uma evidência do enfraquecimento da economia global. A situação é monitorada nas conferências ministeriais da OMC onde se discute o reequilíbrio das regras comerciais para mitigar esses impactos.

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