Irã impõe duas condições para dar inicio as negociações com os EUA
Teerã inclui cessar-fogo no Líbano e desbloqueio de ativos financeiros em lista de pré-requisitos para cúpula no Paquistão
Publicado: 10/04/2026 às 15:51
Presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, (Foto: ICANA NEWS AGENCY / AFP)
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, avisou hoje que as negociações com os Estados Unidos sobre um acordo para o fim da guerra, que tem previsão de acontecer neste fim de semana (11/12) no Paquistão não podem começar até se cumpram duas condições-chave imposta por Teerã.
“Duas das medidas acordadas mutuamente entre as partes ainda não foram implementadas: um cessar-fogo no Líbano e a libertação dos ativos iranianos bloqueados antes do início das negociações. Estas duas questões devem ser cumpridas antes de as negociações começarem", escreveu Ghalibaf, na rede social X.
A exigência de liberação dos ativos bloqueados tem sido uma questão recorrente em negociações anteriores, mas esta é a primeira vez que é apresentada como condição para as próximas conversações de cessar-fogo.
Além disso, num comunicado do Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, lido na televisão estatal do país, o Aiatolá afirmou que seu país não procura a guerra, no entanto alertou que os iranianos não vão abdicar dos seus direitos e todas as frentes de resistência estão sendo consideradas.
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, também voltou a apelar a Washington que cumpram o compromisso de incluir o Líbano no acordo de cessar-fogo. alcançado com o Irão esta semana, avança a imprensa estatal.
Enquanto isso, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, informou que 13 membros das forças de segurança do Estado foram mortos num ataque israelenses a um prédio governamental na cidade de Nabatieh, no sul do país. Aoun condenou à ofensiva e apontou que atacar instituições do Estado não irá dissuadir o Líbano de defender a sua soberania.
Já o grupo xiita libanês Hezbollah reivindica ataques a cidades do norte de Israel em retaliação aos bombardeios israelenses, escalando as tensões. Já a trégua acordada entre os EUA e Irã, que exclui o Líbano segundo Washington e Tel Aviv, é contestada pelo mediador Paquistão e ainda por Teerã.
Por sua vez, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, viajou para Islamabad, no Paquistão, onde irá liderar as negociações com os iranianos. "Estamos ansiosos pelas negociações. Acho que vão ser positivas. Como disse o presidente dos Estados Unidos, se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa-fé, estamos certamente dispostos a estender a mão. Se tentarem nos enganar vão descobrir que a equipe de negociação não é assim tão receptiva", indicou Vance.
A secretária de imprensa da Casa Branca ainda confirmou que no acordo o Irã entregará os seus estoques de urânio enriquecido.
Mas, Trump alertou que se acordo falhar os ataques serão retomados com maior intensidade.
Israel aceita diálogo direto com Líbano sob pressão de Trump
Os embaixadores de Israel, Líbano e EUA vão realizar uma primeira rodada de conversações preparatórias já nesta sexta-feira (10) em Washington, para estabelecer as bases de futuras negociações entre Israel e o Líbano.
E, na próxima semana, a capital norte-americana será o palco das conversações diretas entre as delegações israelenses e libanesas para um acordo de cessar-fogo entre as duas partes. A reunião acontece após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenar rapidez no processo para o encontro. Segundo a imprensa internacional, a decisão de Netanyahu foi um pedido do presidente Donald Trump.
No entanto, Israel exige o desarmamento do Hezbollah, e o Líbano insiste que o cessar-fogo deve vir antes de qualquer conversa.