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Ucrânia e Rússia trocam acusações sobre ataques a alvos civis

Zelensky confirmou que o número de feridos na ofensiva russa do fim de semana chegou a quase 100 no dia de ontem

Isabel Alvarez

Publicado: 25/05/2026 às 21:25

Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky/AFP PHOTO / - / HANDOUT /UKRAINIAN PRESIDENTIAL OFFICE

Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (AFP PHOTO / - / HANDOUT /UKRAINIAN PRESIDENTIAL OFFICE)

O ataque russo contra a Ucrânia na madrugada de domingo, em Kiev, registrou pelo menos quatro mortos e dezenas de feridos. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou que ontem o número de feridos, após a ofensiva em alta escala da Rússia no fim de semana, chegou a quase 100. Já o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, relatou danos em todos os distritos da capital, incluindo instalações da indústria da defesa, depois daquele que foi um dos maiores ataques do último ano.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) relatou hoje que o seu escritório em Kiev ficou danificado pelos múltiplos bombardeios.

Além do lançamento de centenas de drones, as forças russas usaram pela terceira vez o novo míssil balístico hipersônico, Oreshnik, que pode transportar várias ogivas convencionais ou nucleares. Devido a sua velocidade e trajetória é quase impossível de ser interceptado pelos sistemas de defesa aérea disponíveis na Ucrânia.

A Rússia alegou que os bombardeios são dirigidos aos centros de tomada de decisões e postos de comando e ainda avisou que cidadãos estrangeiros devem deixar Kiev e as embaixadas serem evacuadas. De acordo com Moscou, o ataque ucraniano a um dormitório de adolescentes, matou 21 pessoas e feriu mais de 40. “Os ataques foram uma resposta ao ataque deliberado com drones realizado pela Ucrânia contra um dormitório de estudantes na sexta-feira. Este ataque sangrento foi à gota de água", acusou a diplomacia russa.

A Rússia ameaçou que outros ataques serão realizados contra centros de decisão e empresas do complexo militar-industrial em Kiev. “Estamos a alertar os cidadãos estrangeiros, incluindo funcionários de missões diplomáticas e organizações internacionais, para a necessidade de abandonarem a cidade o mais rapidamente possível, e os residentes da capital ucraniana para não se aproximarem das infraestruturas militares e administrativas”, diz o comunicado da chancelaria russa, mas sem especificar um prazo para a execução dos próximos ataques.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, insistiu hoje que os aliados não devem ceder à chantagem russa ao comentar a ameaça de Moscou de ataques à capital ucraniana. Sybiha também criticou e apontou que o míssil Oreshnik transportava uma ogiva simulada.

“É uma tática política de intimidação e uma perigosa escalada de risco nuclear”, acusou a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, numa publicação na rede X.

O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou o ataque russo e indicou que o Oreshnik representa uma escalada na ?guerra de agressão da Rússia. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz classificou o uso do Oreshnik como uma escalada imprudente e reiterou o compromisso do seu país em se manter firmemente ao lado da Ucrânia.

Em contrapartida, o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, garantiu que a ação foi informada hoje ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, tendo argumentado que a medida se deveu aos contínuos ataques terroristas do regime de Kiev contra a população pacífica e locais civis em território russo. Também advertiu a Rubio que a embaixada dos EUA, na capital ucraniana, deve ser evacuada.

As forças armadas ucranianas negaram veementemente a responsabilidade pelo ataque de sexta-feira, afirmando que tinham bombardeado uma unidade de comando de drones de elite na cidade de Starobilsk, na região de Luhansk, controlada pela Rússia, no leste da Ucrânia.

Já o presidente russo, Vladimir Putin, também sancionou um projeto de lei que, na prática, autoriza a Rússia a invadir países estrangeiros sob o pretexto de proteção dos cidadãos russos no estrangeiro. A nova legislação permite ordenar o envio de tropas para o estrangeiro de modo a "proteger" os cidadãos russos que enfrentam prisão, detenção, julgamento ou outras formas de “perseguição” por parte de países estrangeiros e tribunais internacionais. O Kremlin justificou a lei como parte de um esforço para combater a campanha de russofobia desenfreada que continua no estrangeiro.

Por outro lado, as Forças de Defesa da Ucrânia contra-atacaram com uma ofensiva a um depósito de petróleo de Belets, na cidade de Unecha, na região russa de Bryansk, durante a última madrugada, juntamente com vários outros alvos inimigos, que disseram estar ligado a uma cadeia de abastecimento do exército russo. As tropas ucranianas atacaram também um depósito de munições na Mizhhiria ocupada, na Crimeia, assim como quatro instalações militares russas na região de Donetsk. Entre os alvos atingidos estava o pelotão de comando de uma unidade de artilharia russa em Troitske, na região de Zaporizhzhia.

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