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ONU diz que Israel lançou ataques contra o Líbano após acordo entre EUA e Irã

De acordo com as Nações Unidas, foram registrados mais de 130 disparos de projéteis israelenses

Isabel Alvarez

Publicado: 15/06/2026 às 18:58

O porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric/foto: AFP

O porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric (foto: AFP)

As Nações Unidas registrou hoje mais de 130 disparos de projéteis de Israel em direção ao sul do Líbano e nenhum proveniente do grupo Hezbollah, desde que foi anunciado o acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã.

Segundo o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) observou uma diminuição da violência e dos tiroteios durante a madrugada desta segunda-feira, apesar de posteriormente haver sido detectado 133 projéteis e dois ataques aéreos atribuídos às Forças de Defesa de Israel.

A Agência Nacional de Notícias libanesa (ANN) informou que pelo menos uma pessoa morreu hoje num bombardeio com um drone israelense no sul do Líbano além de um jornalista ter ficado ferido por um projétil na mesma região.

Enquanto isso, o presidente libanês, Joseph Aoun, saudou o acordo entre Washington e Teerã, tendo transmitido num telefonema ao chanceler iraniano, Abbas Araghchi, que a estabilidade, segurança e soberania do Líbano são uma prioridade nacional.

Mas, um alto responsável da administração Trump revelou a jornalistas, sob condição de anonimato, que a retirada das tropas israelenses do Líbano não é uma condição incluída no memorando entre EUA e Irã. Segundo a autoridade norte-americana, os EUA consideram que Israel tem o direito de se defender dos ataques do Hezbollah.

Na sua primeira conferência de imprensa após o anúncio do acordo de paz, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que a guerra contra o Irã salvou Israel da ameaça de destruição nuclear. Netanyahu também garantiu que o exército do seu país permanecerá em zonas na Faixa de Gaza, Líbano e Síria pelo tempo que for necessário. “Israel tem controle de áreas centrais onde o Hezbollah ainda pode ameaçar o país. Destruímos as armas do regime de Assad e vamos continuar nas zonas de segurança independentemente do que for preciso”, reiterou.

Netanyahu destacou, além disso, que conhece o presidente norte-americano, Donald Trump, há muitos anos e que, concordam e discordam em diversas ocasiões. "A relação entre parceiros que se conhecem bem implica estar de acordo em muitas coisas e, por vezes, discordar. Isso acontece mesmo nas melhores famílias. Nos Estados Unidos dizem que o presidente Trump faz tudo o que eu lhe peço, e em Israel dizem o contrário. Isso não é verdade", disse, acrescentando que o líder norte-americano envolveu o seu Exército para lutarem juntos contra o seu inimigo comum.

Já o acordo alcançado entre Washington e Teerã foi amplamente avaliado um fracasso para Israel pela sociedade e por grande parte da classe política local.

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