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Líbano acusa Israel de causar intencionalmente incêndios florestais

Na terça-feira (12), as forças de Israel lançaram sinalizadores para uma área arborizada nos arredores de Khiam, no sul do Líbano, provocando vários incêndios

Isabel Alvarez

Publicado: 12/08/2026 às 15:20

 Nas áreas próximas à linha de frente, cerca de 40% do terreno foi afetado pelo fogo./Foto: Ramiz Dallah/Anadolu/AFP

Nas áreas próximas à linha de frente, cerca de 40% do terreno foi afetado pelo fogo. (Foto: Ramiz Dallah/Anadolu/AFP)

As equipes de emergências, moradores e ambientalistas libaneses acusam os militares israelenses de lançarem sinalizadores para destruir as florestas e as plantações no sul do Líbano. “Os incêndios das últimas semanas têm sido uma prática comum e deliberada por parte do exército israelense”, denunciaram. 

Segundo relatou o chefe da defesa civil da região de Nabatieh, Hussein Fakih, na terça-feira as forças de Israel lançaram sinalizadores para uma área arborizada nos arredores de Khiam, no sul do Líbano, provocando vários incêndios. “No entanto, quando os bombeiros tentaram apagar as chamas, um drone atingiu as proximidades e forçou a equipe a recuar. A maioria das nossas missões está agora relacionada com os incêndios. Há enormes áreas de floresta queimadas", disse Fakih.

O chefe da defesa civil não dispõe de números exatos, mas explicou que nas áreas próximas à linha de frente, cerca de 40% do terreno foi afetado pelo fogo. “Os pequenos drones lançam materiais incendiários, são também disparados projéteis de fósforo contra as florestas, além de sinalizadores luminosos”, acrescentou.

O exército israelense tem causado incêndios em todo o sul do Líbano, sobretudo em áreas com olivais e terrenos agrícolas, nos quase dois meses que se seguiram ao cessar-fogo de 17 de junho.

Bombeiros e residentes de outras zonas do sul do Líbano também confirmaram a ocorrência de incêndios idênticos, sobretudo em duas zonas densamente florestadas, em Kfarchouba, perto da fronteira, e entre Jezzine e o vale ocidental do Bekaa.

O chefe da estação de defesa civil da região, Samir Hardan, contou sobre um incêndio que começou perto de Kfarchouba, desde à tarde de sexta-feira, apos um drone ter sido disparado para uma área florestal. No domingo, foi lançado mais um drone que deflagrou um novo incêndio.

O jornal britânico The Guardian publicou que alguns grupos de ambientalistas afirmam que os incêndios fazem parte de um padrão de ataques israelense contra o meio ambiente do Líbano e que acabam por ameaçar as florestas e bosques do país e a biodiversidade. A mídia cita Hisham Younes, fundador da organização libanesa de conservação ambiental afetar o ecossistema com munições, fogo e produtos químicos.

Onda de demolições

Enquanto isso, o exército do Líbano comunicou que as tropas de Israel destruíram nesta quarta-feira (12) o prédio de quatro andares da Escola Sheikh Naim Mahdi, no centro de Zawtar Oriental, no sul do Líbano, sendo o mais recente episódio de uma campanha de demolições que tem como alvo infraestruturas civis e que continua apesar do cessar-fogo.

O prefeito de Zawtar al-Sharqiya, Muhammad Ismail, contou que este foi o maior golpe numa onda de bombardeios que se intensificou ao longo do último mês, incluindo a destruição de uma creche, edifícios municipais e casas, incluindo a sua própria.

"Todos os dias, as pessoas esperam que as suas casas, os seus meios de subsistência e as casas das suas famílias sejam destruídas. Não temos esperança. Vivemos numa ansiedade constante em relação ao amanhã, perguntando-nos se as nossas casas ainda estarão de pé amanhã", lamentou Ismail.

De acordo com a agência de notícias oficial e o Ministério da Saúde libanês, ontem um duplo ataque aéreo israelense, no sul do Líbano, também fez um morto e causou danos numa ambulância. O Ministério da Saúde condenou os ataques contínuos contra equipes de resgate.

O governo de Beirute reiterou a sua condenação dos consecutivos ataques contra equipes de socorro, sublinhando que constitui uma violação inaceitável do direito internacional humanitário e de todas as normas internacionais.

As Forças de Defesa de Israel (IDF) alegaram que as suas operações têm como objetivo travar os militantes do grupo Hezbollah.

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