‘Quero mandar quebrar todos os dentes’, diz Vorcaro sobre jornalista em mensagens interceptadas pela PF
No centro do inquérito estão diálogos atribuídos ao banqueiro com integrantes de seu círculo mais próximo
Publicado: 04/03/2026 às 10:11
Daniel Vorcaro cancela ida a CPMI do INSS após decisão do STF (Reprodução/Youtube)
A ordem de prisão contra o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, cumprida nesta quarta-feira (4), foi fundamentada principalmente no teor de mensagens interceptadas pela Polícia Federal ao longo da Operação Compliance Zero. As informações são do g1.
O conteúdo, analisado e detalhado em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), levou o ministro André Mendonça a apontar indícios de organização criminosa, ameaça à ordem pública e risco concreto às investigações.
No centro do inquérito estão diálogos atribuídos ao banqueiro com integrantes de seu círculo mais próximo. Em uma das conversas, após a publicação de notícias consideradas prejudiciais aos seus interesses, Vorcaro determina que um jornalista seja atacado. Ele escreve: "Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto".
O destinatário da ordem seria Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como responsável por coordenar um núcleo de "intimidação e obstrução de justiça". Mourão responde positivamente à mensagem, o que, segundo os investigadores, reforça a suspeita de tentar simular um crime para calar a imprensa.
Outro trecho das conversas revela ameaças contra uma funcionária. Ao relatar sentir-se pressionado, Vorcaro escreveu: "Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda", determinando que fosse levantado o endereço dela.
As investigações identificaram ainda a existência de uma estrutura interna denominada "A Turma", descrita no processo como uma "milícia privada" utilizada para monitorar ilegalmente e intimidar adversários, autoridades e jornalistas. De acordo com o relatório policial, Mourão coordenava o grupo e recebia repasses mensais de R$ 1 milhão para operacionalizar as ações.
A apuração também alcança supostas articulações junto ao Banco Central. Segundo a PF, Vorcaro utilizava aplicativos de mensagens para tratar de pagamentos e alinhamentos com servidores da instituição. Em conversas com a funcionária Ana Claudia, ele confirmaria valores expressivos destinados ao grupo. O inquérito cita os nomes de Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que ocupavam cargos de chefia na área de supervisão bancária e, conforme a investigação, atuariam como “consultores informais”, revisando previamente documentos que seriam enviados ao órgão regulador e antecipando informações sobre fiscalizações.
Em troca, eles receberiam pagamentos mensais, que em alguns casos chegariam a R$ 1 milhão, por meio de contratos simulados de consultoria e empresas de fachada. Por determinação do STF, ambos foram afastados das funções e deverão utilizar tornozeleira eletrônica.
Foi apontado, ainda, que o grupo teria realizado acessos indevidos a sistemas sigilosos da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol, para obtenção de dados protegidos.
Também foram alvo da operação Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
Na decisão que autorizou as prisões, André Mendonça destacou que a liberdade dos investigados poderia comprometer a ordem pública, colocar em risco a integridade física de vítimas e autoridades, além de possibilitar a destruição de provas e a continuidade de crimes como lavagem de dinheiro, corrupção, obstrução de Justiça e infrações contra o sistema financeiro.