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Política
ELEIÇÕES 2026

Vagas ao Senado no centro da formação das chapas

Prefeito do Recife, João Campos, único com pré-candidatura ao governo estadual oficialmente lançada, selou majoritária baseada em palanque aliado a Lula

Mareu Araújo

Publicado: 22/03/2026 às 22:00

João Campos terá chapa majoritária com Carlos Costa, Marília Arraes e Humberto Costa/Divulgação

João Campos terá chapa majoritária com Carlos Costa, Marília Arraes e Humberto Costa (Divulgação)

A corrida pelas duas vagas ao Senado Federal em 2026 tornou-se o epicentro da estratégia política em Pernambuco. De um lado, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), selou uma chapa baseada em um palanque que o projeta ao lado do presidente Lula (PT), que é candidato à reeleição.

João traz em sua majoritária como pré-candidata ao Senado a ex-deputada Marília Arraes (PDT), que retornou à Frente Popular após um rompimento familiar e político. O nome do senador Humberto Costa (PT), que buscará a reeleição, deve completar a outra vaga de postulante à Casa Alta. Para a vice-governadoria, o escolhido foi Carlos Costa (Republicanos), irmão do ministro Silvio Costa Filho.

Para a cientista política Priscila Lapa, a montagem dessa chapa não é apenas uma soma de siglas, mas uma “estratégia de segurança” para nacionalizar o pleito estadual. “A escolha de uma chapa puro sangue de esquerda tem a ver com esse reforço da ideia de que João e seus aliados seriam os verdadeiros candidatos de Lula. É uma tentativa de dizer: ‘a outra chapa tá fingindo, mas verdadeiramente a chapa de Lula em Pernambuco é a nossa’”, explica.

A analista acredita que trazer a imagem de Lula para seu lado também é uma forma de “vencer a vantagem competitiva da governadora”, que tem a máquina pública ao seu lado. Para ilustrar, no mesmo dia que João anunciou seu nome ao governo estadual, Raquel realizou quatro entregas, incluindo uma creche, promessa central de sua campanha em 2022.

“Então, para vencer essa essa vantagem competitiva, ele tenta nacionalizar o pleito e fazer essa associação direta entre a sua candidatura e o presidente Lula”, afirma.

Embora o presidente do PT em Pernambuco, Carlos Veras, tenha afirmado que qualquer decisão sobre aliança partidária será tomada após o Diretório Estadual aprovar a tática eleitoral, Priscila Lapa avalia que João já estabeleceu território. “Quando ele demarca que o palanque dele é o palanque de Lula, com uma chapa com o aval de Lula, não tem espaço para o PT puxar isso para si”, pondera.

Silvio Costa Filho
A especialista afirma que para que a composição fosse formada, foi preciso que alguém cedesse. “Silvio Costa Filho se colocou desde o início da disputa como alguém que poderia ser senador e falava que essa decisão era irreversível. Mas, quando ele recua e cede o espaço na chapa para que seu irmão ocupe a vice, ele tem uma certa perda”, comenta.

Segundo Priscila Lapa, embora Silvio perca protagonismo imediato, a ação fortalece seu núcleo político para ciclos futuros. Isso se dá porque, de acordo com ela, Silvio Costa Filho é reconhecido por sua capacidade de gestão e, como ministro de Lula, tem destaque e poderia ter pleiteado uma vaga na Casa Alta.

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