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MOBILIDADE

87% dos entregadores por aplicativo no estado foram vítimas de assalto ou tentativa, diz sindicato

A Comissão de Segurança Pública da Alepe decidiu convocar representantes das plataformas de mobilidade para prestar esclarecimentos. Uma audiência pública foi marcada para o dia 6 de maio

Mariana de Sousa

Publicado: 10/04/2026 às 07:55

Entregadores do ifood/Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Entregadores do ifood (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

A insegurança enfrentada por motoristas e entregadores por aplicativo em Pernambuco voltou ao centro do debate público após duas mortes por latrocínio acontecerem no mês de março na categoria.

De acordo com Rodrigo Lopes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Entregadores, Empregados e Autônomos de Moto e Bicicleta por Aplicativos de Pernambuco (Seambape), uma pesquisa interna realizada pelo sindicato revelou que 87% dos profissionais ouvidos já sofreram assalto ou tentativa de assalto no estado.

O levantamento, feito em campo entre os anos de 2023 e 2025 com 1.110 entregadores que atuam em duas rodas nas zonas Norte e Sul do Recife, também aponta que 70% das ocorrências aconteceram em áreas consideradas nobres, nos bairros Boa Viagem, Pina, Espinheiro, Graças, Casa Forte e Parnamirim.

“Nós estamos vulneráveis, estamos soltos. O trabalhador sai de casa para garantir o sustento da família e não sabe se volta. É uma categoria exposta, sem mecanismos de proteção”, afirmou.

O presidente do Sindicato dos Motoristas por Aplicativo de Pernambuco (Sindmape), Anderson Câmara, cobra maior participação das empresas nas medidas de segurança.

Segundo ele, atualmente os próprios trabalhadores arcam com custos para tentar se proteger. “O motorista precisa comprar câmera veicular e compartilhar localização em grupos por conta própria, porque a empresa não oferece essas ferramentas de forma adequada”, criticou.

Cobrança na Alepe

Diante das denúncias, a Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) decidiu convocar representantes das plataformas de mobilidade para prestar esclarecimentos. Uma audiência pública foi marcada para o dia 6 de maio.

O deputado João Paulo (PT), autor do requerimento, ressaltou a necessidade de diálogo com as empresas. “As plataformas devem explicações sobre o que estão planejando e podem contribuir muito com os trabalhadores e com a gestão estadual para garantir um trabalho seguro para centenas de pais de família”, afirmou.

Entre as propostas em discussão na Alepe estão a criação de pontos de apoio para motoristas e entregadores, além da implementação de QR Codes para identificação de profissionais e bolsas térmicas utilizadas nas entregas.

O presidente do Seambape destacou ainda que a entidade tem buscado diálogo com o poder público e cobrado medidas concretas. Entre as propostas defendidas estão a criação de grupos de trabalho com a Secretaria de Defesa Social (SDS), uso de QR Codes para identificação de trabalhadores e implementação de botões de alerta nos aplicativos para sinalização de áreas de risco.

“Já levamos essas demandas à Assembleia Legislativa e ao Governo do Estado, mas, apesar das discussões e audiências, os resultados ainda não chegaram para a categoria”, declarou.

Posicionamento das empresas

Em nota, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como Uber e 99, afirmou que a segurança de motoristas, entregadores e usuários é prioridade.

A entidade destacou que as plataformas investem em tecnologias como compartilhamento de localização e gravação de áudio durante as viagens, além de manter diálogo com o poder público para melhorar a proteção nas operações.

Nota na íntegra:

"As empresas associadas à Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) ressaltam que a segurança de motoristas, entregadores e usuários é uma prioridade em suas operações. Nesse sentido, as plataformas investem e trabalham continuamente para buscar cada vez mais proteção nas milhões de viagens que ocorrem diariamente por meio de ferramentas tecnológicas que atuam antes, durante e depois de cada corrida, como compartilhamentos de localização com contatos de segurança e gravação de áudio.??

Há um diálogo constante com o Poder Público, de forma transparente e colaborativa, nos quais as plataformas colocam-se à disposição para contribuir com iniciativas que busquem avanços na segurança para os motoristas dos aplicativos e usuários."

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