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Eleições 2026

"Refazendo os caminhos de Arraes e Eduardo": o Norte de João Campos na pré-campanha

Com a chapa já definida o ex-prefeito João Campos completa um mês de uma intensa agenda pelo interior do estado

Amanda Medeiros

Publicado: 02/05/2026 às 06:00

Pré-candidato João Campos segue na liderança das intenções de votos/Edson Holanda/PCR

Pré-candidato João Campos segue na liderança das intenções de votos (Edson Holanda/PCR)

“Refazer os caminhos de Arraes e Eduardo” é a diretriz que João Campos (PSB) vem imprimindo à sua pré-campanha ao Governo de Pernambuco neste primeiro mês após deixar a Prefeitura do Recife, conforme tem exposto em suas redes sociais. Com a chapa já definida – ao lado de Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT), na pré-candidatura ao Senado; e Carlos Costa (Republicanos) na vice – o ex-prefeito deu início a uma intensa agenda pelo interior do estado.

No percurso, já passou por municípios como Bonito, Ipubi, Santa Cruz, Serra Talhada, Arcoverde, Quixaba, Canhotinho, Agrestina e Vitória de Santo Antão. Ao longo desta semana, o político seguiu agenda por Cachoeirinha e Garanhuns, “acompanhando de perto a conclusão de obras do Hospital do Amor”, segundo postou em suas redes sociais.

Às vésperas do feriado da Páscoa, em 2 de abril, o então prefeito do Recife, João Campos, formalizou sua saída do cargo ao assinar a carta de renúncia durante a entrega do Hospital da Criança do Recife, no bairro de Areias. O gesto cumpriu a promessa de se lançar pré-candidato ao governo estadual. O tom foi assumidamente saudosista, com discursos emocionados e uma agenda de inaugurações, como a segunda etapa do Parque da Tamarineira, na Zona Norte; e o Parque Governador Eduardo Campos, no Pina, Zona Sul – este último, uma homenagem ao seu pai e ex-governador.

Ao deixar o comando da capital, João transmitiu o cargo ao vice, Victor Marques (PCdoB). Antes mesmo da formalização da posse, João já estava em ritmo de pré-campanha, “com o pé na estrada” pelo Sertão. Ao mesmo tempo, não deixou de publicar fotos, notas e vídeos fortalecendo a imagem da gestão que, como dito pelo próprio Victor, pode ser considerada um “trabalho de continuidade” e também uma “vitrine” para Pernambuco.

Em suas redes sociais, o pré-candidato tem adotado um discurso memorialista, ancorado na herança política familiar. “Vou fazer o que vi meu pai fazer e também o que ele não pôde fazer”, escreveu em diferentes postagens, trazendo as trajetórias de Miguel Arraes e Eduardo Campos como “sonhos que continuam”. Nesse contexto, resgata projetos históricos, como a Transnordestina – mencionada como “o sonho de Arraes” – conectando passado e futuro em sua narrativa política.

Ao mesmo tempo, seus discursos não deixam de incorporar críticas à atual gestão estadual, liderada por Raquel Lyra (PSD). As alfinetadas giram em torno de temas como segurança pública e infraestrutura rodoviária.


Tensões jurídicas da pré-campanha

De um outro lado, desde o lançamento de sua pré-candidatura, com a ampliação significativa da sua presença pública e digital, a postura de João Campos tem gerado questionamentos no campo jurídico-eleitoral. O PSD, partido da governadora Raquel Lyra, tem levantado dúvidas sobre os limites legais da pré-campanha, especialmente no que diz respeito à exposição antecipada da candidatura e ao uso das redes sociais.

Na esfera digital, suas postagens combinam elementos de mobilização política com forte apelo geracional, evocando não apenas Eduardo Campos, mas também Miguel Arraes, como referências centrais de sua trajetória. Hashtags e palavras de ordem, como a defesa de um “Pernambuco para frente”, ajudam a estruturar essa comunicação, que busca consolidar identidade, engajamento e reconhecimento público antes do período oficial de campanha.

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