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Líder do governo critica pedido de impeachment contra Priscila: "manobra eleitoreira"

Deputada estadual Socorro Pimentel (PSD) ressaltou que a ação dos parlamentares do PSB foi orquestrada às vésperas do período eleitoral

Elaine Guimarães

Publicado: 21/08/2026 às 11:10

Líder do governo na Alepe, Socorro Pimentel/Divulgação

Líder do governo na Alepe, Socorro Pimentel (Divulgação)

A líder do governo Raquel Lyra na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Socorro Pimentel, criticou o pedido de impeachment contra a vice-governadora Priscila Krause. Por nota, a parlamentar classificou a ação como uma "manobra de pura politicagem".

Além disso, Pimentel ressaltou que a ação, protocolada pelos deputados de oposição,  Sileno Guedes, Rodrigo Farias e Romero Albuquerque, todos do PSB, foi orquestrada às vésperas do período eleitoral. "Assistimos, mais uma vez, a uma tentativa desesperada da oposição de criar tumulto onde há trabalho e seriedade, repetindo a mesma tática fracassada que tentaram usar contra a governadora", diz trecho do comunicado. 

No texto, a líder do governo classificou o pedido como "infundado, desprovido de qualquer embasamento legal ou técnico". Socorro Pimentel alegou também que, durante as gestões do PSB, a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, recebia repasses de valores proporcionais superiores aos do governo atual e "era considerada idônea, vital para a rede de saúde do Agreste". 

"Tenho a plena convicção de que essa peça fantasiosa não avançará nesta Casa. A política e o povo de Pernambuco exigem seriedade, trabalho e respeito às instituições, não o desespero de atitudes rasteiras como as que estamos assistindo", salientou Socorro.

Entenda o caso

Na última quinta-feira (20), os deputados estaduais Rodrigo Farias, Romero Albuquerque e Sileno Guedes, todos do PSB, protocolaram na Alepe um pedido de impeachment contra a vice-governadora Priscila Krause (PSD) e a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti. No documento, obtido pelo Diario, os parlamentares apontam possíveis crimes de responsabilidade, atos lesivos ao patrimônio público e supostas irregularidades na aplicação de recursos públicos.

A representação tem como um dos principais pontos a relação entre a vice-governadora e a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro LTDA, unidade que, segundo os deputados, tem como principal sócio e administrador Jorge Branco, marido de Priscila Krause.

Por nota enviada à imprensa, os deputados salientaram que a solicitação foi baseada no resultado da auditoria realizada pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), vinculado ao Ministério da Saúde, que identificou inconsistências na prestação de serviços de oncologia, UTI e hemodiálise da Casa de Saúde contratados pela SES-PE.

Em entrevista ao Diario, Romero Albuquerque negou motivações políticas e salientou que a Alepe vem acompanhando o caso envolvendo a unidade de saúde desde 2024. "Seria uma motivação política se, antes da auditoria que a gente solicitou, a gente tivesse entrado com o pedido de impeachment; era um crime de responsabilidade contra a vice-governadora."

Governo contesta acusações

O Governo de Pernambuco afirmou, na última quinta-feira (20), que as acusações apresentadas no pedido de impeachment contra a vice-governadora e a secretária estadual de Saúde “não correspondem aos fatos” e classificou a iniciativa de três deputados de oposição como uma movimentação de caráter político-eleitoral.

Através de nota, a gestão estadual afirmou que Priscila Krause não integra o quadro societário da Casa de Saúde, que presta serviços complementares ao Estado há 55 anos, atravessando 16 governos estaduais. 

Ademais, o comunicado ressalta que a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) recebeu o relatório final do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS) e que está adotando os encaminhamentos previstos na legislação, da mesma forma como faz com os demais prestadores de serviço.

Auditoria

Na última semana, o Ministério da Saúde, por meio do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), divulgou o resultado da auditoria dos serviços prestados pela Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro a partir de contratos firmados com a Secretaria Estadual de Saúde.

No documento, foram apontadas inconsistências na prestação de serviços de oncologia, UTI e hemodiálise. À época, a secretaria informou que iria recorrer à Justiça e solicitar a revisão do resultado do relatório final da auditoria. Os auditores analisaram a aplicação de R$ 55,8 milhões em recursos federais repassados pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) entre janeiro de 2023 e julho de 2025 para a prestação de serviços de média e alta complexidade na unidade hospitalar.

Ainda segundo a auditoria, das 60 autorizações de internação analisadas, 33 apresentaram cobranças incompatíveis com as informações registradas nos prontuários. Também foram  apontadas inconsistências em 113 autorizações referentes a procedimentos sequenciais.

O DenaSUS identificou no setor de UTI uma quantidade inferior de leitos cadastrados pela unidade de saúde. Segundo a Casa de Saúde, o local conta com 31 leitos de UTI adulta, sendo 11 destinados ao SUS. Contudo, a auditoria afirma que há apenas oito leitos de UTI adulta e 10 destinados a casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

Procurada pelo Diario, na época, a Casa de Saúde salientou que apresentaria os esclarecimentos e documentações, pelas vias administrativas cabíveis, que comprovem os procedimentos realizados e fundamentem a posição da instituição em relação aos pontos questionados pelos auditores.

 

 

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