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Política
SABATINA

"Ele tentou tirar minha candidatura", diz Ivan Moraes sobre João Campos

Durante sabatina no Diario de Pernambuco, candidato do PSOL, Ivan Moraes, detalhou propostas de governo e fez críticas a João Campos e Raquel Lyra

Alexandre Cunha

Publicado: 24/08/2026 às 18:16

Ivan Moraes é candidato ao Governo de Pernambuco/Foto: Karol Rodrigues/DP Foto

Ivan Moraes é candidato ao Governo de Pernambuco (Foto: Karol Rodrigues/DP Foto)

O candidato ao Governo de Pernambuco Ivan Moraes (PSOL) participou, nesta segunda-feira (24), da primeira sabatina realizada pelo Diario de Pernambuco. Durante a entrevista, Ivan afirmou que João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife e também candidato ao governo estadual, tentou inviabilizar a sua candidatura às vésperas do início da campanha.

"Ele tentou tirar minha candidatura, ele ameaçou nosso partido. Nosso partido é independente e autônomo e não abre mão de ter uma candidatura importante aqui em Pernambuco", afirmou o candidato do PSOL. A campanha de Ivan só foi confirmada no último dia 15, já no limite de incrições.

Na sabatina, Ivan disse "não ter relação" com João e relatou nunca ter sido recebido pelo prefeito, mesmo sendo vereador no Recife. Ele também fez críticas à governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição.

"Entendo que são políticos da velha política, herdeiros de velhas oligarquias. Entendo que ambos têm qualidades, mas não tenho relação com nenhum dos dois", afirmou. "Espero construí-la de uma forma respeitosa, porque entendo que os dois fazem parte do centro ideológico e para qualquer candidatura que procura prosperar, é preciso que haja esse diálogo mais amplo."

Confira abaixo os principais trechos da sabatina

Quais critérios o senhor leva em conta para definir os candidatos João Campos e Raquel Lyra como candidatos de Centro, mas não de Esquerda?

Eu não estou falando isso uma crítica. Eu estou fazendo uma análise. Não preciso lembrar que Raquel Lyra foi deputada pelo PSB, foi secretária do governo Eduardo, o pai dela era vice-governador do governo Eduardo.

Eu estou colocando um aspecto muito prático para localizá-los fora do campo da esquerda onde eu caminho. Eu nunca os vi no Grito dos Excluídos. Eu nunca os vi nas passeatas contra o golpe. Eu nunca os vi nas passeatas pelo Lula Livre. Eu nunca os vi nas passeatas contra a lei de terceirização ainda no governo Dilma.

Eles fazem a política pautada pelo "toma lá, dá cá", mas eles têm uma posição de centro. Eles têm uma posição em que tomam muito cuidado para não parecer tanto de um lado nem tanto do outro.

João Campos, quando foi candidato e entendia que precisava se aproximar um pouco mais da direita, ele pareceu ser um pouco mais da direita. Agora que ele precisa parecer ser um pouco mais da esquerda, ele tem tentado parecer um pouco mais da esquerda. Isso é uma coisa natural para quem é de centro.

E acho isso muito comum. Acho ok que ele seja de centro. Eu conversaria com ele, conversaria com ele nos debates e no período pós-eleição

Como demonstrar ao eleitorado pernambucano que a sua candidatura é viável?

A gente precisa dizer ao povo pernambucano que dá para fazer diferente. A gente precisa mostrar o que é que a gente tem para fazer, usando exemplos que existem no mundo todo. A gente não inventou a roda no nosso plano de governo. A gente entende que ele é um plano contemporâneo, que se adequa às necessidades atuais da nossa população.

Eu acho que tudo que está no nosso plano tem respaldo na realidade. Ao mesmo tempo, a gente é flexível para o diálogo. A gente entende que nem tudo que a gente quer a gente consegue logo. E muito do que a gente quer pode ser possível pelo diálogo.

O que não é possível pelo diálogo precisa ser impulsionado pela mobilização popular. Então, eu tenho paciência, disposição e gosto pela conversa.

Caso eleito, o sr. conseguiria abrir esse diálogo com Raquel e João? Haveria construção, no seu governo, de composição partidária?

Para eu ser eleito governador de Pernambuco, necessariamente vou precisar conversar pelo menos com um dos dois, porque, se eu for para o segundo turno, quer dizer que um dos dois não vai. E aí, com certeza, esse diálogo estará aberto.

O PSOL é um partido maduro, não abre mão dos seus princípios e entende o desafio nesta conjuntura de forma muito clara. Primeiro, quer que garantam a reeleição do presidente Lula; segundo, que isolem a extrema-direita. Nessa conjuntura, nós não temos nenhuma delicadeza, nenhum pudor, nenhuma vergonha de construir as alianças necessárias dentro do campo democrático.

Então, eu compreendo que tanto o João quanto Raquel jogam o jogo dentro do campo democrático, ainda que eu discorde veementemente dos métodos tradicionais com que a política é feita. O que eu proponho é um outro tipo de política e de diálogo. Mas isso não quer dizer que o diálogo está impedido. Pelo contrário. Vai ser um diálogo franco, um diálogo honesto.

Há uma bancada do PSB muito forte na Alepe, que também tem partidos da Direita. Como seria para tratar essas questões com a Alepe?

Eu acho que o pessoal da Rede tem candidaturas muito boas. É muita gente massa que está chegando à política, muita gente estreante na política saindo pela nossa chapa, e eu boto muita fé que essas pessoas podem conquistar o mandato.

Mas, ainda que não haja tantas mudanças, ainda que a maioria continue sendo de outros partidos, eu vou exercitar na Assembleia o mesmo trânsito, a mesma tranquilidade, o mesmo diálogo que exerci quando eu era vereador. Ainda que um ou outro possa ser ideologicamente diverso de mim, em alguma pauta a gente vai conseguir andar junto.

Em alguma coisa, eles vão entender que é do interesse dos seus próprios grupos políticos que o nosso governo dê certo, porque a gente quer fazer o povo feliz, a gente quer que o povo trabalhe em emprego bom. A gente quer que o povo ande de ônibus de graça, a gente quer que o povo não sofra as consequências do desastre climático, a gente quer que o povo tenha alternativas de trabalho e renda.

Em meio aos problemas estruturais dos hospitais públicos de Pernambuco, o próximo governo deve priorizar a construção de novas unidades ou a reforma e ampliação dos hospitais existentes?

Eu vou investir muito na atenção básica, que entendo que é prerrogativa dos municípios, mas também entendo que Pernambuco é um dos estados no país que tem a menor abrangência na atenção básica, que é o que faz a pessoa não precisar ir para o hospital.

Então, espere do meu governo um investimento e uma parceria importante com todos os municípios, independentemente de quem é o prefeito, para que a gente faça a atenção básica ser universalizada no nosso estado. E, naturalmente, o Estado tem outras prerrogativas que são importantes do ponto de vista da média e alta complexidade. Então, por exemplo, a gente incide sobre as residências.

Você sabia que muitas das residências aqui em Pernambuco são pagas pelo governo do Estado? O governo do Estado pode determinar, a partir da região, que residências, que especialidades são mais necessárias e investir nelas.

O povo está cansado de desinvestimento na saúde. Eu não quero política de doença, eu quero política de saúde. Note que, ao longo dos últimos anos, desde 2015, o Estado investe menos na saúde. O povo está cansado de hospital que cai o teto. O povo está cansado de hospital que começa a sua renovação pela fachada. O povo está cansado da velha política.

O senhor pode detalhar como funcionaria o programa estadual de cannabis voltado à produção de medicamentos e qual seria o papel do Lafepe?

Eu não proponho mudar nenhuma lei. Eu proponho que o Estado, hoje, entenda que existe um medicamento produzido com uma planta que é conhecida pelos seres humanos há milênios. Esse medicamento é legalizado no Brasil, e muitos dos remédios que estão sendo produzidos no Brasil hoje estão sendo produzidos com plantas que estão sendo importadas.

O Lafepe é um laboratório que precisa de alguns equipamentos porque tem lidado muito mais com remédios sólidos do que com líquidos. Então, os técnicos e técnicas do Lafepe já conhecem essas associações canábicas e, para eles e elas, não é nenhum mistério produzir esse remédio. É um remédio muito fácil de fazer, não é uma coisa cabulosa, complicada.

Existe uma demanda para esse remédio já no SUS hoje, porque esse remédio já é possível para qualquer indivíduo que tenha uma receita médica e muito dinheiro no bolso. São remédios que custam centenas de reais em qualquer farmácia hoje, e a gente vai possibilitar fazer com que esse remédio chegue no SUS e fazer com que a gente possa vender esse remédio para o mundo todo.

Como o senhor pretende garantir critérios objetivos, transparência e retorno social na distribuição dos recursos do fundo estadual de economia circular?

Eu acho que a política só serve com transparência. Eu acho que um governante que se propõe a fazer qualquer coisa e não se propõe a dar transparência sobre o que faz, ele já começa errado.

Eu acho que a economia solidária não é apenas uma possibilidade de fazer com que recursos cheguem a iniciativas pequenas. Eu acho que pode ser um instrumento de transformação da forma com que a gente atua nos negócios e na economia.

Vou dar um exemplo do estado de Kerala, na Índia, que era um dos mais pobres do país. O governo participava fomentando as cooperativas de crédito, dando formação às outras cooperativas para que elas pudessem compreender, por exemplo, se aqueles empreendimentos se sustentavam.

Então, o que o Sebrae faz com as pequenas empresas, por exemplo. Então, você imagina o Sebrae, com recursos públicos também, podendo fortalecer milhares de empreendimentos sociais ao longo do estado de Pernambuco. Empreendimentos que vão poder agir sobre o meio ambiente.

Imagina cooperativas de catadores e catadoras espalhadas pelo estado a partir do nosso programa de lixo zero, com formação, com equipamentos para poder fazer a coleta, para poder fazer a separação daquilo que é reciclável, para poder tocar as unidades de compostagem. O meio ambiente ganha, o povo ganha, a população ganha, quem trabalha ganha, Pernambuco ganha.

As pessoas que elegerem Ivan Moraes vão sempre saber, tim-tim por tim-tim, como é que eu estou usando o recurso público e vão poder opinar sobre isso.

Ivan Moraes é candidato ao Governo de Pernambuco pelo PSOL
Ivan Moraes é candidato ao Governo de Pernambuco
Ivan Moraes (Psol) é candidato ao Governo de Pernambuco
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