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João Campos: "Um governador não deve ser alguém que fica terceirizando desculpa"

Em sabatina realizada pelo Diario, o ex-prefeito utilizou feitos de sua gestão à frente da Prefeitura do Recife para criticar a governadora Raquel Lyra

Amauri Lins

Publicado: 25/08/2026 às 18:10

João Campos em sabatina no Diario de Pernambuco/Foto: Karol Rodrigues/DP Foto

João Campos em sabatina no Diario de Pernambuco (Foto: Karol Rodrigues/DP Foto)

O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) participou, nesta terça-feira (25), de nova sabatina promovida pelo Diario de Pernambuco com candidatos ao Executivo estadual nas eleições de 2026. Questionado sobre as críticas da governadora Raquel Lyra (PSD) à gestão do PSB em Pernambuco, encabeçada por Paulo Câmara, o ex-prefeito do Recife evitou comentar episódios passados e disse que está focado no futuro.

“O debate que o povo espera não é sobre o passado de Pernambuco. As pessoas estão aqui para fazer escolhas sobre o futuro, sobre quatro anos pela frente. Quem pode fazer mais pelo nosso estado, quem é que pode realizar obra, quem pode construir hospital, quem é que pode tirar a creche do papel, quem é que vai duplicar a estrada, quem é que vai conseguir fazer com que novas indústrias e empresas venham para cá. Esse é o debate que a gente vai fazer”, disse.

No que se refere às entregas, João também fez um comparativo de sua gestão como prefeito com a atuação do Governo de Pernambuco. “Como é que com um orçamento oito vezes maior do que o da prefeitura do Recife, o estado não fez um hospital? Como é que se tem um orçamento oito vezes maior e se entregou dez creches, tendo prometido 250? Esse é o debate que o povo quer saber: quem é que faz mais. Porque, na verdade, um governador ou um prefeito, ele não deve ser alguém que está ali para ficar terceirizando desculpa ou responsabilidade ou justificando os seus não feitos.”, completou João Campos.


 

Neste ano, o senhor esteve no FIG e disse que Sivaldo Albino, prefeito de Garanhuns, poderia planejar o próximo FIG sem economizar, porque o estado investiria caso você fosse eleito. Como seria essa parceria? Você defende que o estado volte a assumir a organização do FIG, por meio da Fundarpe, para recuperar o modelo que existia antes?

O Festival de Inverno de Garanhuns é um patrimônio do povo pernambucano. No atual governo houve uma tentativa clara de desmontar o Festival do Inverno. Quase que ele não acontecia no primeiro ano da gestão estadual atual. A cidade ficou indignada. O prefeito Sivaldo fez a coisa certa, que é: você é prefeito de uma cidade que tem o FIG, você vê um governo do estado tentando ali enfraquecer o Festival de Inverno, deixar ele completamente vazio e sem funcionamento adequado. Ele poderia ficar jogando a culpa para o governo ou ele disse “eu vou resolver”. A diferença é que a nossa escola é de resolver.

O senhor propõe fortalecer a FACEPE e a UPE, implantar unidades compactas do Porto Digital em cidades-polo do interior e criar o chamado “Cinturão da Inteligência”, conectando a entrada de cabos submarinos de Suape ao Polo Industrial de Goiana e ampliando a fibra óptica para o interior. De onde virão os recursos para esses projetos?

Eu não estou aqui para fazer mais do mesmo. Eu não estou aqui para fazer mais ou menos. Eu estou aqui para fazer a melhor gestão da história do estado de Pernambuco. Para a gente ser protagonista, para Pernambuco ser referência, para a gente ser líder, líder do Nordeste. A gente não pode ver um computador, por exemplo, de 1 bilhão ser anunciado no Rio Grande do Norte e Pernambuco não teve. A gente vê um data center chegar no Ceará, por que não veio para Pernambuco? 

No embarque digital nós vamos formar de mil jovens, dez mil jovens em tecnologia no estado de Pernambuco nos próximos quatro anos. Como prefeito nós formamos 2 mil. Nós formamos 2 mil em quatro anos. A gente está falando aqui de um compromisso de aumentar cinco vezes. A arrecadação do estado é oito vezes maior do que a do Recife. Então a gente consegue fazer, fiz como prefeito. 

O senhor fala em inaugurar uma nova etapa do SUS em Pernambuco, com novos hospitais, mais especialistas e uma gestão unificada das filas. Mas Pernambuco já tem uma rede hospitalar extensa e, ainda assim, o grande drama do usuário é conseguir acesso, seja a uma consulta, um exame ou uma cirurgia. O que o senhor pretende fazer de diferente para que seu governo não seja apenas uma nova rodada de construção de equipamentos, mas consiga efetivamente reduzir o tempo de espera?

Não se compara o nível de manutenção e cuidado com os equipamentos do município versus o do estado nessa atual gestão. Eu fiz uma agenda muito robusta e intensa de manutenção dos equipamentos existentes, ampliação. Como prefeito, eu cuidei das coisas existentes e também não estou dizendo aqui que você vai resolver tudo que existe no mundo em quatro anos. Não vai. Agora, a saúde piorou e não foi cuidado nem do que já tinha, nem construído algo novo. E o que a gente vai fazer? Nós vamos cuidar do que tem, porque é uma obrigação, fazer um programa robusto de manutenção robusto e construir novos equipamentos.

O senhor afirmou, recentemente, que não esconde seus aliados. O ex-governador Paulo Câmara externou a interlocutores que, se preciso, vai pedir direito de resposta caso informações inverídicas sejam veiculadas sobre ele pela candidatura de Raquel Lyra. O senhor não tem interesse de defender Paulo Câmara das acusações ou o senhor concorda com as críticas da chapa adversária?

O debate que o povo espera não é um debate sobre o passado de Pernambuco. As pessoas estão aqui para fazer escolhas sobre o futuro, sobre quatro anos pela frente, quem pode fazer mais pelo nosso estado.Eu, quando assumi a prefeitura, eu tive a oportunidade de fazer uma carteira de investimento, desenhar projetos e captar recursos e tirar esses projetos do papel. Essa é a grande diferença.

Como é que com um orçamento oito vezes maior do que o da prefeitura do Recife, o estado não fez um hospital? Como é que se tem um orçamento oito vezes maior e se entregou dez creches, tendo prometido 250, e a gente fez 107 novas creches no Recife? Então, esse é o debate que o povo quer saber: quem é que faz mais. Porque, na verdade, um governador ou um prefeito, ele não deve ser alguém que está ali para ficar terceirizando desculpa ou responsabilidade ou justificando os seus não feitos. Um governador está lá para realizar e melhorar a vida das pessoas.

O senhor tem a garantia de que Lula virá a Pernambuco para fazer campanha ao seu lado?

Já conversei várias vezes com o presidente, com Edinho [Silva, presidente nacional do PT], com os coordenadores nacionais da campanha do presidente. A gente construiu, inclusive, esse palanque do presidente Brasil afora, fazendo 14 construções diretas lideradas pelo PSB e tantas outras que resultam no apoio nos 27 estados. E o presidente sempre tratou com muita naturalidade, inclusive a participação dele aqui na campanha em Pernambuco.

Ele já gravou alguns vídeos, já manifestou diversas vezes o apoio e já disse, inclusive em reunião, várias reuniões comigo e com o presidente do PT, Edinho, que ele estará aqui. Agora, claro, a agenda dele é algo muito intenso. Então ele tem que presidir o país, cuidar da rotina do governo, ainda garantir a soberania do nosso país e estar dividindo na agenda eleitoral.

O senhor pretende tentar um projeto nacional, de candidatura à presidência?

Meu objetivo é ser governador de Pernambuco porque eu quero cuidar do povo do nosso estado. Eu tenho um objetivo muito claro de poder, enquanto presidente nacional do partido, fazer um partido que dialogue mais com o povo brasileiro, que cresça. A gente vai ter um crescimento muito grande da bancada. A gente deve ser certamente o partido do Brasil com maior crescimento e com certeza o partido da centro-esquerda brasileira que vai mais crescer nessa eleição. 

Eu tenho uma missão de poder ajudar a ver o presidente Lula reeleito e de poder construir um projeto popular e que cuide do estado de Pernambuco e dê protagonismo ao nosso estado. Em 2030, o líder da transição vai ser o presidente Lula. O presidente Lula vai conduzir o seu processo de sucessão. Ele é a maior liderança não só do Brasil, mas eu vejo ele como a maior liderança democrática mundial hoje.

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