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Eleições 2026

Após revés no primeiro turno, Lula aposta em redes sociais e mobilização nas ruas

Campanha de Lula também apostou em força-tarefa com jovens influenciadores e contou com a mobilização espontânea de apoiadores em todo o país

Amauri Lins

Publicado: 24/10/2026 às 06:00

André Janones e Lula em live para o 'Exército de Lula'/Foto: Ricardo Stuckert

André Janones e Lula em live para o 'Exército de Lula' (Foto: Ricardo Stuckert)

O revés nas urnas, que contrariou o cenário apresentado pelas principais pesquisas eleitorais do primeiro turno, provocou uma mudança de postura na campanha do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na primeira rodada da disputa pelo Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. O resultado levou a coordenação da campanha petista a corrigir algumas “falhas”, como reconheceu em entrevistas recentes o presidente nacional do PT, Edinho Silva.

Nesse contexto, a atuação nas redes sociais passou a ganhar centralidade, com a adoção de novas estratégias. A primeira delas foi a utilização de vídeos no formato de “selfie”, em que o próprio presidente utiliza a câmera frontal do celular para conversar diretamente com o público, numa tentativa de estabelecer maior proximidade com os eleitores. O primeiro vídeo nesse formato foi publicado em 7 de outubro, três dias após o primeiro turno, e alcançou mais de 23,5 milhões de visualizações em apenas 24 horas.

Na estreia do formato, o líder petista publicou outros nove vídeos semelhantes ao longo do dia, o que sinalizou um investimento robusto na proposta, que se desdobrou ao longo de toda a campanha do segundo turno. Os conteúdos versaram sobre temas diversos, como educação, democracia, mercado de trabalho e a importância da participação no processo eleitoral. A iniciativa também representou uma mudança de postura de Lula na relação com o ambiente digital, uma vez que o presidente já havia sinalizado sua resistência a aderir ao uso da internet.

Um estudo do Projeto Brief, iniciativa de inteligência em comunicação e dados, encomendado pelo jornal Estadão, apontou que o investimento surtiu efeito e a campanha de Lula nas redes recebeu um engajamento cerca de três vezes maior que a de Flávio Bolsonaro ao longo do segundo turno. Entre os dias 5 e 19 de outubro, período analisado no levantamento, o petista alcançou uma média diária de 13,3 milhões de interações, contra 3,6 milhões do candidato liberal. O ponto alto ocorreu em 18 de outubro, dia do primeiro debate presidencial, quando Lula somou 30,1 milhões de interações e Flávio, 5,5 milhões.

Força-tarefa com influenciadores

No dia da publicação de sua primeira selfie, Lula não estava sozinho, mas rodeado de jovens parlamentares recém-eleitos, que possuem uma presença expressiva nas redes sociais. A aproximação com os influenciadores partiu do entendimento da campanha do presidente sobre a necessidade de multiplicar as vozes para amplificar o alcance no embate na arena digital.

A estudante mineira Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, foi uma das escolhidas para auxiliar o presidente. Com mais de 2,5 milhões de seguidores no Instagram, ela somou mais de 524 mil votos e foi a segunda candidatura mais votada por Minas Gerais para a Câmara dos Deputados, além de ser a mulher mais votada para deputada federal na história do estado.

Outro nome recrutado foi o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL), historiador pernambucano que ganhou destaque nas redes por conteúdos didáticos sobre o comunismo e soma mais de 2,6 milhões de seguidores no Instagram, além de cerca de 700 mil inscritos em seu canal no YouTube. Na disputa eleitoral deste ano, ele foi o segundo mais votado com quase 250 mil votos.

“Exército” comandado por Janones

Dois dias após o primeiro turno, o deputado federal reeleito André Janones (Rede) criou um canal no WhatsApp intitulado “Exército de Lula” e reuniu cerca de 500 mil pessoas em menos de 24 horas. A ferramenta permite a disseminação em massa de informações em mão única pelos administradores, sem possibilidade do envio de mensagens pelo público. Atualmente, o canal soma mais de 10 milhões de contas inscritas, figurando como uma das maiores comunidades da plataforma no país.

A dinâmica funciona por meio de “missões” determinadas por Janones, que devem ser seguidas à risca pelo público participante com o intuito de ampliar a presença digital da campanha. A principal ação coletiva ocorreu na manhã do dia 17 de outubro, quando as pessoas foram instruídas a publicar fotos nas redes sociais vestindo a camisa da Seleção Brasileira e fazendo o gesto de “L” com a mão, em alusão à campanha de Lula.

Classificada por Janones como “a missão mais importante”, a atividade teve o intuito de “retomar” as cores verde e amarela referente à bandeira nacional, que nos últimos anos passaram a ser associadas ao campo político da direita. Além dos seguidores, a movimentação também envolveu artistas, influenciadores e políticos da esquerda e da direita.

Ao longo da campanha do segundo turno, o canal chegou a sofrer restrições impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que suspendeu o funcionamento da ferramenta sob a alegação de supostas notícias falsas que estariam sendo disseminadas. Com a ausência da comprovação de irregularidades, o canal teve o funcionamento liberado.

Mobilização espontânea nas ruas

Em paralelo com o movimento realizado no ambiente digital, a campanha de Lula também investiu e incentivou as mobilizações pulverizadas de apoiadores por todo o país. Segmentos como cultura, saúde e educação, além de categorias profissionais, passaram a organizar atividades de forma espontânea. Em Pernambuco, dezenas de ações como carreatas, caminhadas, plenárias e panfletagens foram realizadas diariamente em todas as regiões do estado, muitas delas com a participação de parlamentares eleitos.

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