Estudantes de medicina da UPE suspendem greve após reunião com governo do estado
Alunos de medicina da Universidade de Pernambuco (UPE), realizaram protesto ontem (2), em frente ao Palácio do Campo das Princesas, no Centro do Recife. Estudantes justificam suspensão da greve em função da promessa de financiamento para restabelecimento das alimentações cortadas
Publicado: 04/02/2026 às 05:20
Estudantes de Medicina da UPE fazem protesto (Foto: Reprodução/Instagram)
Os alunos de medicina na Universidade de Pernambuco (UPE) suspenderam a greve das atividades acadêmicas após ser reunirem com o Governo do Estado na tarde de ontem (2). Segundo os estudantes, a decisão foi tomada em função da promessa da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de Pernambuco (SECTI) de obter financiamentos para restabelecer as alimentações suspensas em todas as unidades do Complexo Hospitalar da UPE do Recife.
Nesta segunda (2), os alunos, que estavam em greve desde a quinta (29), realizaram um protesto em frente ao Palácio do Campo das Princesas, no centro da capital, e seguiram para a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de Pernambuco (SECTI), no bairro do Recife, onde foram recebidos para uma reunião.
Em entrevista ao Diario, o diretor-geral do Diretório Acadêmico do curso de medicina da UPE do Recife, Arthur Godê, criticou a contraproposta imediada apresentada pela SECTI, que, segundo ele, apenas visava disponibilizar alimentação gratuita para alunos de baixa renda.
“A primeira contraproposta apresentada insistia que a alimentação não deveria ser para todos, porque supostamente não seria obrigação do Estado garantir a alimentação dos estudantes de forma gratuita. Eles estavam dizendo que só deveriam participar dessa alimentação os estudantes que estavam num critério de renda similar ao das bolsas e assistentes dentro da UPE, que é o critério de renda, para isso é estar com renda per capita de um salário mínimo”, argumentou Godê.
Grupo de Trabalho
Os estudantes não aceitaram a pontuação da Secretaria e, de acordo com representante, ficou acordada a formação de um Grupo de Trabalho entre os alunos, a UPE e a SECTI, para desenvolver a proposta reivindicada de retorno de disponibilização de alimentação nas três unidades do complexo hospitalar da UPE – Centro Universitário Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM), na Encruzilhada, na Zona Norte do Recife; Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) e Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco - Prof. Luiz Tavares (PROCAPE), ambos em Santo Amaro, na região central da capital.
A data marcada para o retorno do grupo de trabalho é 25 de fevereiro. Até lá, os alunos decidiram retornar às atividades acadêmicas – suspendendo a greve, mas sem oficialmente encerrá-la. Segundo eles, foi prometido que o financiamento para as alimentações em todas as unidades seria obtido.
“Nossa luta desde o início foi para garantir o financiamento. Se a justificativa da universidade é que não existe financiamento, vamos atrás. Na reunião foi prometido isso. O que nos fez suspender foi a promessa de que o Governo do Estado iria financiar. Depois que a universidade der os números, a gente vai buscar. Essa reunião ficou marcada para o dia 25 às 9h, a gente só suspendeu a greve, e não terminou de fato, justamente para ter a possibilidade de entrar em greve de novo sem precisar de aviso”, explicou Arthur.
Godê destacou que a expectativa é que a criação do Grupo de Trabalho seja suficiente para que atender o pedido dos estudantes. Ainda de acordo com ele, as reivindicações não são negociáveis, e o grupo irá retomar a greve em caso de desacordo com o resultado apresentado.
“A expectativa depois da reunião, é que não haja outra volta para o Grupo de Trabalho, mas sim um projeto assinado, sem mais enrolação, porque senão vamos paralisar de novo. Vamos participar do trabalho técnico da coleta desses dados, mas não vamos aceitar que a alimentação do complexo seja restrita. Muitos estudantes que não se encaixam nesse perfil, mas têm que cumprir carga horária, estagiando na universidade de forma obrigatória, não remunerado”, compartilhou.
Ainda na ocasião, foi restabelecida a alimentação no Centro Universitário Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM), conforme informações repassadas ao Diario pelo Diretório Acadêmico Josué de Castro.
Relembre
Na última quinta (29), alunos da Faculdade de Ciências Médicas do Recife da Universidade de Pernambuco (UPE), entraram em greve das atividades acadêmicas em função do corte de refeições no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM), a única unidade do complexo hospitalar da UPE que disponibilizava almoço gratuito para os internos, como se chamam os estagiários de medicina.
De acordo com o Diretório Acadêmico, 300 alunos estão em internato nas três unidades do complexo hospitalar da UPE.
Dos três, o CISAM era o único que ainda disponibilizava almoço gratuito para 15 internos, diariamente. O Diretório Acadêmico afirma que as alimentações custavam à UPE, mensalmente, R$ 3.946,8.
O que dizem a UPE e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI)
A reportagem do Diario de Pernambuco procurou a Universidade de Pernambuco (UPE) e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) de Pernambuco.
Até a última atualização desta matéria, nenhuma das instituições se pronunciou. A reportagem aguarda retorno.