Pacto contra feminicídios lançados pelo governo foi anunciado no estado
Em dezembro, Lula esteve em Pernambuco e fez um discurso comovido diante de casos recentes que tinham ocorrido, inclusive no Recife
Publicado: 04/02/2026 às 22:49
Terreno onde aconteceu tragédia, na Iputinga, está sendo limpo pela prefeitura (Rafael Vieira/DP)
Lançado nesta quarta-feira (4), em Brasília, o pacto nacional para o enfrentamento ao feminicídio foi proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há dois meses, durante uma visita sua a Pernambuco.
Naquele momento, ele deu uma ideia do que seria esse pacto.
Tudo aconteceu no dia 2 de dezembro de 2025. Lula fez um emocionado discurso no estado e falou sobre casos de feminicídios registrados em vários lugares do país naquele período.
Um deles aconteceu justamente no Recife, dias antes da visita presidencial: a tragédia da comunidade de Icauã, na Iputinga, na Zona Oeste do Recife. Em um sábado, Isabelle Macedo, que estava grávida de dois meses, foi morta pelo companheiro, o eletricista Aguinaldo Alves.
O homem também matou quatro filhos do casal, colocando fogo na casa e trancando todos juntos.
“É a primeira vez na história deste país, ou talvez do mundo, que o presidente da República vai assumir uma campanha junto com todos os homens de caráter para que ninguém faça violência contra as mulheres nesse país. Ninguém”, disparou o presidente durante a entrega da Barragem de Panelas II, em Cupira, no Agreste.
Lula disse ter sido abordado pela esposa, a primeira-dama Janja da Silva, no avião, a caminho de Pernambuco, que teria se emocionado com os casos recentes de violência brutal contra a mulher e contra crianças em vários estados do Brasil.
“Essa semana, domingo à noite, a Janja estava chorando por causa de uma matéria no jornal. Um canalha que atropelou a mulher, a arrastou e a mulher perdeu duas pernas. Depois ela estava chorando porque no dia seguinte, no Recife, outro cidadão trancou a mulher grávida dentro de casa com os filhos e ateou fogo na casa e matou todos. E depois ela estava chorando porque viu um outro cara pegar duas pistolas e matar a mulher dele. Hoje então eu fico me perguntando que mundo é esse? Que mundo é esse?”, indagou.
“Se o cara tiver dinheiro, como o que deu 60 socos na cara da mulher no elevador, fica só dois anos preso. E um cara que rouba um pão, não tem advogado, fica na cadeia”, complementou. O presidente ainda questionou as leis em vigor no país: “O Código Penal Brasileiro (1940), tem pena para fazer justiça a um animal irracional como esse?”.
Lula fez o chamamento aos homens presentes na agenda em prol da campanha contra a violência de mulheres e crianças. “Não é possível que a gente não tenha sido educado para não ser violento. Se você vai morar com alguém, por que violentar esse alguém? Por que bater? Então eu queria convidar vocês homens a fazer uma campanha com isso. Eu queria convocar vocês. Quem tiver disposição para participar dessa campanha em defesa da dignidade do respeito às mulheres, levanta a mão aqui para a genteD mostrar na fotografia. Aliás, eu vou dizer: ‘Para mim, quem bater na mulher não precisa votar em mim. É isso. Quem for violento contra a mulher não precisa votar em mim’”, afirmou o presidente.