SDS-PE afasta policial suspeito de envolvimento com vereadores de Ipojuca que teriam desviado emendas
Policial foi afastado por 120 dias e SDS-PE alega que decisão tem caráter cautelar e visa garantir a ordem pública
Publicado: 06/02/2026 às 19:16
Polícia Civil de Pernambuco investiga o caso (Foto: SDS-PE)
A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) determinou, nesta sexta-feira (6), o afastamento cautelar do comissário da Polícia Civil flagrado em um carro com vereadores de Ipojuca suspeitos de envolvimento em um esquema de desvios milionários de emendas parlamentares.
O policial é investigado por suspeita de ter participado de uma reunião considerada irregular pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), com vereadores de Ipojuca que são alvos das investigações. Segundo o MPPE, o encontro teria ocorrido para o repasse de informações sigilosas relacionadas ao andamento do inquérito.
O policial foi flagrado dentro de um veículo com o presidente da Câmara de Ipojuca, Flávio Henrique do Rêgo Souza, conhecido como Flávio do Cartório (PSD); o vice-presidente da Casa, Professor Eduardo (PSD), e o vereador Júlio Marinho (PP), no dia 19 de novembro de 2025. O grupo foi visto no estacionamento de um supermercado no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.
A portaria que oficializa o afastamento foi assinada pelo secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho. No documento, a SDS afirma que a medida tem caráter cautelar e visa garantir a ordem pública, a regular instrução do processo disciplinar e a correta aplicação de eventuais sanções, diante de indícios de práticas incompatíveis com o exercício da função pública.
O afastamento inicial é de 120 dias, podendo ser prorrogado uma única vez por igual período, caso o PAD não seja concluído dentro do prazo. A portaria também determina que, em até 24 horas, a Diretoria de Recursos Humanos recolha a identificação funcional do policial, além de armas e outros utensílios institucionais que estejam sob sua posse. Durante o período, o comissário deverá se apresentar diariamente ao setor indicado pela DRH, permanecendo à disposição da administração.
Entenda o esquema
As investigações que envolvem vereadores de Ipojuca apuram o uso irregular de emendas parlamentares impositivas, mecanismo que permite aos parlamentares municipais destinar parte do orçamento para áreas e projetos específicos. De acordo com a Polícia Civil, em Ipojuca esse montante pode chegar a cerca de R$ 40 milhões, valor correspondente a aproximadamente 2% da Receita Corrente Líquida do município, que possui o terceiro maior Produto Interno Bruto (PIB) de Pernambuco.
O caso ganhou maior repercussão após o assassinato de Simone Marques da Silva, de 46 anos, ocorrido em 28 de outubro. Professora universitária, ela havia ido à Delegacia de Porto de Galinhas para prestar depoimento sobre o esquema, mas não chegou a ser ouvida naquele dia. O depoimento foi remarcado, porém Simone foi morta a tiros no quintal de casa poucas horas depois.
No dia 5 de novembro, o empresário Gilberto Claudino da Silva Júnior, apontado pela Polícia Civil como um dos coordenadores dos desvios e então gestor da Faculdade Novo Horizonte, foi preso após permanecer cerca de um mês foragido.