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Com mais de 500 casos registrados, estado abre 43 leitos para pacientes com doenças respiratórias graves

Estado registra 504 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave até a Semana Epidemiológica 8. Quase metade é em crianças de 0 a 2 anos

Adelmo Lucena

Publicado: 04/03/2026 às 17:12

Leitos para atender crianças com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) /Foto: Divulgação/SES-PE

Leitos para atender crianças com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) (Foto: Divulgação/SES-PE)

A rede estadual de saúde de Pernambuco abriu 43 novos leitos voltados ao atendimento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) diante do início do período de maior circulação de vírus respiratórios, que costuma ocorrer entre março e agosto.

Do total, 24 leitos de enfermaria foram abertos na rede própria desde a última semana de fevereiro. Eles estão distribuídos no Hospital Barão de Lucena (5), Hospital de Jaboatão Prazeres (10) e Hospital Geral de Areias (6), no Recife, e no Hospital Regional Dom Moura (3), em Garanhuns.

Outros 19 leitos foram contratualizados na rede complementar, sendo 10 leitos de UTI pediátrica no Hospital Vale do Una, em Palmares, e 9 leitos de enfermaria no Centro Hospitalar Santa Maria, em Vitória de Santo Antão. Ao todo, são 33 leitos de enfermaria e 10 de UTI abertos em 2026 para enfrentamento da sazonalidade.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), a abertura integra o Plano de Contingência para Doenças Respiratórias na Infância, que prevê monitoramento de circulação viral, solicitações e ocupação de leitos, além de índices de positividade para vírus respiratórios. A pasta informa que o planejamento de ampliação é feito de forma escalonada, conforme o aumento da demanda.

“Depois da pandemia da Covid-19, a sazonalidade na pediatria se tornou um problema de saúde pública em alguns estados. Pernambuco é um desses estados considerados sazonais. Quando a gente observa a curva epidemiológica dos últimos anos, percebe que, logo após a volta às aulas, especialmente depois do período de Carnaval, há um aumento da circulação viral”, explica o secretário-executivo de Gestão Estratégica e Coordenação Geral (SEGECG), Anderson Oliveira.

Casos em 2026

Até 28 de fevereiro (Semana Epidemiológica 8), Pernambuco notificou 504 casos de Srag. Desse total, 248 (49,2%) ocorreram em crianças de 0 a 2 anos.

Em 2025, o estado registrou 7.375 casos da síndrome, sendo 4.038 (54,7%) nessa mesma faixa etária, o que reforça o impacto maior entre crianças pequenas.

“Neste momento, não estamos em situação de emergência. Não há fila elevada nem tempo de espera alto. Porém, já observamos aumento nas solicitações de leitos. Ao identificar esse crescimento, iniciamos a abertura de forma preventiva. Também temos credenciamento aberto para a rede privada e filantrópica ofertarem leitos ao Estado, se necessário”, pontua Anderson.

O secretário executivo pontua que o tempo médio para liberação de um leito é de 17 horas e que a situação é considerada de emergência quando este prazo ultrapassa as 31 horas.

Vacinação de gestantes

Como estratégia preventiva, o Estado iniciou em dezembro a vacinação de gestantes contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Desde então, 25.836 gestantes foram imunizadas.

A vacina é indicada a partir da 28ª semana de gestação e aplicada em dose única. A proteção ocorre por meio da transferência de anticorpos da mãe para o bebê, reduzindo o risco de complicações como bronquiolite e pneumonia nos primeiros meses de vida.

“A principal estratégia é a vacinação. Iniciamos a vacinação contra o vírus sincicial respiratório para um público específico e também reforçamos a importância da vacina contra a Influenza. Ao reduzir a circulação da Influenza, diminuímos a pressão assistencial, permitindo que a rede esteja mais preparada para atender casos de VSR”, complementa o secretário-executivo.

Ele destaca que o Ministério da Saúde ainda não atua com metas em relação a este tipo de vacinação, mas que a gestão estadual visa aplicar todas as doses que receber do governo federal. “No entanto, precisamos de novos envios do Ministério da Saúde para ampliar a cobertura. Há previsão de chegada de novo lote agora em março.”

Além da vacina em gestantes, Pernambuco passou a ofertar o anticorpo monoclonal nirsevimabe pelo SUS. O imunobiológico é indicado para bebês prematuros (com menos de 36 semanas e 6 dias de gestação) e crianças menores de 2 anos com comorbidades elegíveis.

A aplicação é realizada em maternidades e serviços de saúde especializados. Crianças prematuras nascidas após agosto de 2025 devem receber o anticorpo no início da sazonalidade deste ano, desde que tenham menos de seis meses de vida. Também podem ser incluídas crianças menores de 24 meses com comorbidades que não tenham recebido palivizumabe.

A SES-PE informou que segue monitorando a evolução dos casos e a demanda por leitos ao longo do período sazonal.

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