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Perseguição em Salinas

PM do Bope acusado de matar menina de 6 anos vai a júri popular; crime 'parou' Porto de Galinhas

O cabo da PM Diego Felipe de França Silva é acusado de matar, em 2022, a menina Heloyse Gabriele da Silva Fernandes Nunes, de 6 anos, durante uma perseguição policial na comunidade de Salina, em Porto de Galinhas

Bartô Leonel

Publicado: 12/03/2026 às 15:24

Moradores fizeram protesto após morte de criança em Porto de Galinhas /Foto: Arquivo/DP

Moradores fizeram protesto após morte de criança em Porto de Galinhas (Foto: Arquivo/DP)

A Vara Regional do Tribunal do Júri do Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), determinou, na quarta-feira (11), que o policial militar Diego Felipe de França Silva, acusado de matar a menina de 6 anos Heloyse Gabriele da Silva Fernandes Nunes durante perseguição policial na comunidade de Salinas, em Porto de Galinhas, Ipojuca, vá a júri popular.

Diego Felipe responde pelo crime de homicídio qualificado, por emprego de meio que pode resultar em perigo comum e cometido por erro na execução. A defesa do réu ainda pode recorrer da decisão.

O crime provocou uma série de protestos e "parou" Porto de Galinhas e entradas de Ipojuca, no Grande Recife. 

Como foi

A morte de Heloyse Gabriele aconteceu no dia 30 de março de 2022, durante uma perseguição de agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) contra um suspeito de envolvimento com tráfico de drogas. A menina estava na Praça da Televisão, na Comunidade de Salinas, quando foi atingida no peito por um disparo de arma de fogo.

Desde o início do processo em 2022, Diego Felipe está em liberdade provisória, cumprindo algumas medidas cautelares, como: proibição de manter contato, por qualquer meio, com testemunhas e familiares da vítima fatal; obrigação de manter endereço e telefone atualizados e; comparecer a todos os atos do processo. A sentença de pronúncia manteve a liberdade provisória do réu.

Segundo informações obtidas pelo Diario de Pernambuco, a defesa do réu queria levar o caso para a Vara da Justiça Militar no início do processo, mas o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) conseguiu provar que o caso deveria seguir em uma Vara do Júri.

Vale destacar que a data do julgamento só poderá ser agendada quando a decisão de pronúncia transitar em julgado.

Relembre o caso

Heloyse Gabriele da Silva Fernandes Nunes foi morta no dia 30 de março deste ano, na comunidade de Salinas, que fica situada em Porto de Galinhas, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco.

O disparo que matou a garota aconteceu no momento em que policiais do BOPE, em uma operação, procuravam um homem suspeito de envolvimento com tráfico de drogas na região. Na versão oficial da polícia sobre a história, houve troca de tiros. Já para os moradores, apenas os policiais atiraram naquela tarde.

Protestos que parou Porto de Galinhas

Um dia após a morte da criança, uma onda de protesto se instaurou em Porto de Galinhas. Moradores, amigos e familiares de Heloyse Gabriele fecharam as vias de Porto de Galinhas. O comércio também ficou de portas fechadas.

Na época, os manifestantes pediam por justiça, levantando cartazes sobre o episódio. "Assassinos de fardas", "Fora BOPE" e "Justiça por Heloysa" estampavam alguns dos cartazes na época.

A família de Heloyse Gabriele chegou a ser recebida pelo então governador de Pernambuco, Paulo Câmara, após sete dias da morte da criança.

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