Grupo criminoso usava prédios do centro do Recife como QG do tráfico de drogas
Os suspeitos de tráfico de drogas foram presos na tarde desta quinta (12), em conjunto de prédios na Travessa do Gusmão, no bairro de São José, no centro do Recife
Publicado: 13/03/2026 às 14:32
Agentes do Denarc em operação contra tráfico de drogas no centro do Recife (DIVULGAÇÃO/PCPE)
Oito homens foram presos, e um adolescente de 16 anos apreendido, durante a Operação Casa Matas, realizada na quinta-feira (12), em um conjunto de prédios na Travessa do Gusmão, no bairro de São José, centro do Recife.
A ação teve como alvo um grupo criminoso que utilizava apartamentos e áreas comuns do condomínio para o tráfico de drogas.
Os detalhes da operação foram apresentados nestas sexta (13), pelo delegado Vitor Freitas, da 2ª Delegacia de Polícia de Repressão ao Narcotráfico (2ª DPRN) e o aspirante a oficial Thiago Uchôa, do 16° Batalhão da Polícia Militar.
Segundo o delegado Vitor Freitas, ao todo foram nove recolhimentos, sendo cinco por mandados de prisão e quatro em flagrante. Entre os detidos está o adolescente, apreendido por força de mandado judicial.
A investigação começou em novembro de 2025 e foi conduzida pelo Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), com apoio da Polícia Militar.
Ao longo do trabalho de inteligência, os policiais identificaram a atuação de uma associação criminosa que utilizava os prédios como base logística para venda e armazenamento de drogas.
Vítor Freitas aponta que o grupo havia estruturado o local para facilitar o tráfico e dificultar a atuação policial.
“Quando fomos cumprir os mandados de prisão, encontramos uma verdadeira fortificação do tráfico de drogas. Eles utilizavam os prédios para se esconder, morar, guardar drogas e comercializar entorpecentes”, afirmou.
Ainda segundo o delegado, os integrantes do grupo tinham funções específicas dentro da organização criminosa.
“A função de cada um deles está sendo definida a partir dos interrogatórios, mas já identificamos que havia pessoas responsáveis pela segurança armada, outras por avisar a chegada da polícia e outras diretamente ligadas à venda de drogas”, explicou.
A polícia também identificou que o tráfico acontecia durante todo o dia, mesmo com a rotina normal da comunidade.
“Era um tráfico que acontecia em plena luz do dia, enquanto a vida da comunidade seguia normalmente, com comércio informal e moradores circulando pelo local”, disse o delegado.
Durante a operação, os policiais encontraram grades instaladas nos corredores e áreas comuns dos prédios, colocadas pelos próprios traficantes para dificultar o acesso de rivais e da polícia.
Em alguns apartamentos também foram instaladas câmeras de segurança e rádios comunicadores, usados para monitorar a movimentação na região.
Segundo o tenente Thiago Uchôa, o grupo também utilizava olheiros para avisar sobre a chegada das equipes policiais.
“Eles tinham câmeras, rádios HT e pessoas responsáveis por observar a chegada do policiamento. Assim que percebiam a aproximação da polícia, conseguiam fugir e se esconder dentro dos apartamentos”, afirmou.
A polícia também identificou que alguns moradores foram expulsos dos imóveis, que passaram a ser ocupados pelos integrantes da organização criminosa.
“Eles ocupavam apartamentos e transformavam esses locais em refúgio para a prática de crimes como tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo e até homicídios”, disse o tenente.
Durante a operação, foram apreendidos uma pistola Glock com numeração raspada, dois carregadores estendidos com capacidade para 30 munições, munições calibre .380, cerca de 694 gramas de maconha, porções de crack, uma balança de precisão, celulares e dinheiro.
Apesar das tentativas de fuga dos suspeitos, não houve confronto armado nem registro de feridos durante a ação.
A operação contou com cerca de 60 policiais e teve apoio do serviço de inteligência do 16º Batalhão, do programa Malhas da Lei e do Denarc. As investigações continuam para localizar outros suspeitos ligados ao grupo criminoso.