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Vida Urbana
ANOMALIAS

Metade dos sapos-cururus de Fernando de Noronha tem deformidades, indica estudo

Segundo a pesquisa, a taxa de anomalias no arquipélago está muito acima da média registrada em ambientes continentais

Marlon Júlio

Publicado: 25/03/2026 às 22:41

Sapos-cururus da espécie Rhinella diptycha/Débora Augusti e Camila Moser

Sapos-cururus da espécie Rhinella diptycha (Débora Augusti e Camila Moser)

Metade dos sapos-cururus da espécie Rhinella diptycha que vivem no Arquipélago de Fernando de Noronha possuem algum tipo de deformidade. É o que revela um estudo conduzido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

De acordo com a pesquisa, a taxa de anomalias está muito acima da média registrada em ambientes continentais. A bióloga e doutoranda Mariana Carvalho afirma que o índice considerado “normal” gira em torno de até 10%.

“Esse é um dado histórico. Ele vem sendo coletado desde 2009 e ultrapassa a média mundial observada no continente. Em Noronha, as principais deformidades estão nos dedos das patas e nos olhos”, explica Mariana.

O estudo de campo mais recente ocorreu entre 25 de fevereiro e 25 de março de 2026. No período analisado, foram realizadas coletas em oito pontos distintos do arquipélago, incluindo amostras de água, sedimentos, além de sangue e tecidos (fígado e rim) dos animais analisados.

A pesquisa, que segue em andamento, busca compreender se há relação entre as anomalias e a existência de metais pesados no arquipélago.


Impacto ambiental

A espécie exótica invasora foi introduzida em Fernando de Noronha há mais de 100 anos, com o objetivo de controlar pragas. Com o passar do tempo, a presença do sapo-cururu passou a representar um desequilíbrio ecológico, principalmente pela ausência de predadores naturais no arquipélago.

A doutora Camila Moser explica que apesar da base alimentar do cururu ser insetos, ele também preda espécies nativas.

“Estamos analisando o impacto da predação sobre a fauna local, tanto de invertebrados quanto de vertebrados. O sapo-cururu também se alimenta de mabuyas e caranguejos”, aponta Camila.

 

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