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TRÁFICO DE ANIMAIS

Galo-de-campina é o animal mais traficado em Pernambuco, diz CPRH

Ave símbolo do Nordeste sofre com captura ilegal enquanto comércio clandestino avança sobre animais exóticos

Adelmo Lucena

Publicado: 30/03/2026 às 06:00

Aves são as principais vítimas de tráfico em Pernambuco/Foto: Crysli Viana/DP Foto

Aves são as principais vítimas de tráfico em Pernambuco (Foto: Crysli Viana/DP Foto)

Entre as espécies mais atingidas pelo tráfico de animais silvestres em Pernambuco, o galo-de-campina se destaca como o principal alvo, alerta a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). Ave típica do Nordeste, conhecida pela plumagem e pelo canto, ela se tornou um dos exemplos mais claros de como a cultura de criação de animais se entrelaça com o crime ambiental no estado.

“Sem medo de errar, aqui em Pernambuco, a ave mais apreendida é o galo-de-campina. É o pássaro mais traficado do estado. A gente recebe inclusive repatriação de outros estados”, afirma o gerente do Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), Irã Vasconcelos.

A ave ocorre em áreas de Caatinga e ambientes abertos, carregando características que facilitam sua captura. O galo-de-campina chama a atenção pela cabeça vermelha e corpo em tons cinza e branco. Além disso, tem um canto que atrai os criadores e traficantes.

Essa exploração, no entanto, já apresenta reflexos no meio ambiente. “É algo que dói no coração, porque a gente vê o número de bandos reduzindo ao longo dos anos. Antigamente se via com facilidade, hoje já não se vê mais como antes”, relata Irã.

Embora ainda não esteja oficialmente classificado como ameaçado de extinção, o impacto da captura ilegal é crescente. A retirada de indivíduos da natureza compromete não apenas populações locais, mas também funções ecológicas essenciais, como a dispersão de sementes e o controle de insetos.

Um exemplo da dimensão do problema foi registrado em novembro de 2025, quando uma operação da Polícia Federal flagrou um homem transportando cerca de 400 galos-de-campina. Segundo a PRF, as aves haviam sido adquiridas em Ouro Branco, em Alagoas, e seriam revendidas em Caruaru, no Agreste de Pernambuco.

Além da retirada direta, o tráfico interfere no ciclo reprodutivo da espécie. “Quando você tira um galo-de-campina da natureza, você não está tirando só um animal. Você está deixando de gerar dezenas de outros. E isso se multiplica ao longo do tempo”, explica Irã.

Tráfico vai além das aves e inclui espécies exóticas

Embora os pequenos pássaros representem a maior parte dos animais apreendidos, o tráfico de fauna em Pernambuco vai muito além. A mesma rede criminosa também atua na captura, transporte e comercialização de espécies silvestres de médio e grande porte, além de animais exóticos.

“Aqui já recebemos de tudo: onça-parda, jaguatirica, guaxinim, capivaras, primatas… não é só passarinho. O tráfico vai muito além disso”, pontua o gerente do Cetras.

Entre os casos que mais chamaram a atenção está a apreensão de mais de 60 serpentes em uma residência em Caruaru, incluindo espécies exóticas, como a cobra-do-milho, originária da América do Norte e com potencial invasor.

A presença desse tipo de animal amplia os riscos ambientais. Quando escapam ou são soltos de forma irregular, espécies exóticas podem competir com a fauna nativa, provocar desequilíbrios ecológicos e gerar impactos difíceis de reverter.

“Esses animais exóticos não podem simplesmente voltar para a natureza. Eles são destinados a zoológicos ou mantenedores, onde não podem se reproduzir, justamente para evitar impacto na fauna nativa”, explica Irã.

Além das serpentes, centros de triagem também recebem animais que exigem manejo complexo, como felinos silvestres e primatas. Em muitos casos, o retorno à natureza não é possível.

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