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DISPUTA JUDICIAL

Mulher briga na Justiça de PE para que filha receba herança de empresário alemão

A briga judicial é de Daniele Galindo Wanderley, que afirma ter filha com homem que foi dono de rede de academias no estado. Fortuna é calculada em R$ 100 milhões

Diario de Pernambuco

Publicado: 31/03/2026 às 14:26

O empresário Korbinian acompanhado da criança de 6 anos./Foto: Reprodução

O empresário Korbinian acompanhado da criança de 6 anos. (Foto: Reprodução)

A fisioterapeuta Daniele Galindo Wanderley trava uma disputa na Justiça de Pernambuco para comprovar que o empresário alemão Korbinian Andreas Dengler é o pai da sua filha de 6 anos, o que daria à menina direito a uma herança estimada em R$ 100 milhões. Korbinian, que tinha uma rede de academias em Pernambuco, morreu com a noiva e um amigo em um sinistro de trânsito em Feira de Santana (BA), em setembro de 2025.

A disputa judicial tem gerado troca de acusações. Enquanto o pai de Korbinian classifica Daniele como oportunista, ela diz que o ex-sogro apresentou documentos falsos nos autos.

Segundo a advogada Angelynna Nascimento, que representa Daniele, o empresário e a fisioterapeuta tiveram um relacionamento em Arcoverde, no Sertão de Pernambuco, que durou alguns anos. Angelynna diz que Korbinian não teria recebido bem a notícia de que a companheira estava grávida.

A mulher, então, teria se mudado para a Itália. "Por questão de imigração, para que não fossem deportadas, um italiano que é da família que ela trabalhava, registrou a menina", diz Nascimento.

Ainda de acordo com o relato da advogada, Daniele voltou para Arcoverde quando a filha tinha cinco meses de vida. "Korbinian conheceu a menor e eles foram morar em uma outra casa em Arcoverde", conta a advogada, que acrescenta que o relacionamento foi marcado por idas e vindas.

A defesa afirma que há registros, como fotos e vídeos, que indicariam vínculo afetivo entre o empresário e a criança.

De acordo com a defesa, a fisioterapeuta teria adiado o reconhecimento formal da paternidade por receio de perder a guarda da filha.

"Ele era tóxico. Falava que queria registrá-la e que ela não seria criada nesse país", conta Nascimento. "Ela pensava que quando a filha tivesse maior faria esse reconhecimento. Quem vai imaginar que uma pessoa vai morrer com 35 anos?"

"Tentativa de obter vantagem patrimonial indevida"

De acordo com a defesa, Daniele decidiu procurar a Justiça após o pai do empresário, Clemens Alexander Dengler, sugerir que não seriam necessários documentos para o reconhecimento da paternidade.

"Daniele estranhou essa conversa e percebeu que ele estava a manipulando para ganhar tempo para alguma coisa", diz a advogada.

Ela afirma ter encontrado um processo judicial na Bahia em que Clemens pedia a cremação do corpo do filho. A advogada conseguiu uma decisão que permitia a cremação apenas após a coleta de material biológico do empresário. Com o material, foi possível fazer um teste de DNA, que teria apontado que Korbinian era o pai da criança.

Em um processo sobre a administração da herança, Clemens escreve que, como é pai de Korbinian, figura como herdeiro do patrimônio deixado. "O falecido não deixou descendentes reconhecidos nem cônjuge, sendo, atualmente, seus únicos herdeiros legítimos seus genitores", diz a petição.

Na ação, Clemens diz que a criança foi adotada na Itália, rompendo "qualquer vínculo de filiação e, consequentemente, qualquer direito sucessório com o pai biológico".

Para o advogado Flávio Leal, que representa Clemens, Daniele invoca de forma "oportunista" a tese da multiparentalidade.

"A tentativa de caracterizar essa situação como 'multiparentalidade' é uma manobra processual para contornar o fato de que o falecido nunca reconheceu a paternidade em vida e não há qualquer prova de vínculo socioafetivo", assinala Leal.

Ele acrescenta: "A alegação de multiparentalidade post mortem [póstuma], sem qualquer base em ato de vontade do falecido, não encontra amparo no ordenamento jurídico e configura-se como uma tentativa de obter vantagem patrimonial indevida".

Fortuna

A advogada da fisioterapeuta calcula que Korbinian tenha deixando um patrimônio de cerca de R$ 100 milhões. O cálculo é feito a partir de um levantamento em que ela identificou que o alemão tinha: 14 empresas vinculadas ao CPF, seis terrenos no Paiva, no Cabo de Santo Agostinho e um apartamento à beira-mar de Boa Viagem.

"Caso a Justiça reconheça a menor como filha de Korbinian, ela passa a ser a única herdeira de todo o patrimônio. E é por isso que os avós não querem que ela seja reconhecida", denuncia Angelynna. A defensora também acusa Clemens de ter mantido uma relação de distância com o filho e que os dois estariam sem se falar.

No processo da herança, entretanto, Clemens diz que vivia em "perene contato com o filho" e que o aconselhava na gestão dos negócios, conhecendo profundamente a operação das empresas.

Nos autos, ele diz que é proprietário integral da empresa Fortis Participação Ltda, vendida pelo filho em 2025.

A defesa acusa o pai do empresário de fraude, com base em laudo grafotécnico que indicaria inconsistências na assinatura do filho, e acrescenta que o cartório responsável pela procuração reconheceu a existência de indícios de falsificação.

"Importante destacar que essa empresa é, na prática, uma holding que concentra o patrimônio deixado por Korbinian, o que reforça a gravidade da tentativa de exclusão", afirma Nascimento.

Um exame de DNA chegou a apontar a paternidade, segundo a defesa da mãe. No entanto, a validade do laudo foi suspensa pelo TJPE após questionamento da família do empresário, que afirma não ter participado do procedimento.

Com relação ao inventário, a juíza responsável determinou a avaliação dos bens para posterior alienação.
Em nota, a defesa de Clemens Alexander Dengler declara repudiar a "tentativa de converter o rito jurídico em um espetáculo midiático".

"A família, ainda profundamente abalada pela perda trágica de seu filho, vem sendo exposta a alegações que não encontram respaldo jurídico e que contrariam decisões já proferidas pelo Poder Judiciário", diz o posicionamento.

A defesa também acusa a mãe de criança de instrumentalizar a imagem da filha para criar uma "narrativa artificial de comoção pública".

"A menor possui filiação estabelecida e reconhecida em seu registro civil italiano, portando o sobrenome de seu pai italiano. A tentativa de desconstituir essa realidade através de um suposto exame de DNA — produzido de forma unilateral e ilegal — já foi devidamente rechaçada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE)", declara.

A nota acrescenta que a família está adotando as medidas cabíveis contra a genitora e seus representantes no âmbito cível, criminal e ético-disciplinar.

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