° / °
Vida Urbana
MOBILIDADE

Acidentes com motos preocupam no Recife; especialista aponta celular como 'vilão'

Nova etapa do curso Piloto Seguro da CTTU, realizado nesta sexta-feira (10), foi direcionado à motociclistas por aplicativo, que relataram o risco que vem da distração no celular

Cadu Silva

Publicado: 10/04/2026 às 13:13

Instrutor da CTTU dá aula do Piloto Seguro/Cadu Silva/DP

Instrutor da CTTU dá aula do Piloto Seguro (Cadu Silva/DP)

“Velocidade é o que mais mata. Depois vem bebida alcoólica e, hoje, o celular, que tira totalmente a atenção”. O ranqueamento é do instrutor do curso Piloto Seguro, voltado para motociclistas por aplicativo.

A nova etapa do curso foi realizada, nesta sexta-feira (10), pela Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), em um parceria com o aplicativo 99 e a Honda, que ofereceu formação teórica e prática sobre direção defensiva e segurança no trânsito.

Para o instrutor de pilotagem Moab Barros, que atua há mais de 15 anos na área, a mudança de comportamento é essencial.

“O que mais chama atenção é a forma errada de conduzir. Quando a pessoa aprende e aplica, passa a pilotar com mais segurança”, explicou.

Entre os alunos e as alunas do curso, não faltou quem confirmasse que o celular usado durante a pilotagem é um fator de alto risco.

“Eu vi que ia acontecer, mas não quis acreditar. Ela (uma outra motoqueira) estava no celular e deixou cair, freando de repente. Eu bati e caí com o passageiro”, relembrou Geovana Carla, de 40 anos.

“Desloquei o ombro e a clavícula. Foi um susto grande. Depois disso, a gente fica ainda mais alerta”, disse.

Ela é motociclista por aplicativo e desde começo do dia está nas ruas do Grande Recife, uma jornada puxada, que exige pausas estratégicas para aguentar o ritmo.

“Eu saio por volta de 4h, trabalho até meio-dia, paro, descanso e volto à tarde até a noite. Quem é a máquina é a moto, não sou eu”, contou.

Entre corridas e deslocamentos pela cidade, ela aprendeu que atenção nunca é demais quando se está sobre duas rodas.

“Não depende só da gente. A gente faz o certo, mas precisa que todo mundo faça também”, afirmou.

Dandara Bruna Ferreira Passarelli, de 31 anos, concorda com Geovana.

“Você acha que é besteira olhar rapidinho o celular, mas pode causar algo muito sério”, alertou, reforçando que pequenos descuidos podem ter grandes consequências.

Ela contou que já se envolveu em um acidente à noite. “Foi falta de iluminação e sinalização. A gente fica muito exposta”, relatou.

Para quem ainda não sofreu acidentes, a preocupação segue constante.

O motociclista José Luiz da Silva, de 40 anos, vê na prevenção a melhor forma de continuar trabalhando com segurança.

“Qualquer aprendizado é importante. A gente leva isso para o dia a dia para tentar evitar o pior”, afirmou.

Para o guarda civil municipal Dayvson Luiz, o desafio vai além da fiscalização.
“Às vezes, ganhar um pouco mais no fim do dia pode custar não chegar em casa”, destacou.

Mortes voltam a crescer e preocupam autoridades

Os relatos refletem um cenário que também aparece nas estatísticas. Dados preliminares da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) apontam que o Recife registrou 148 mortes de motociclistas no trânsito em 2025, número superior ao de 2024, com 143 óbitos, e ao de 2023, com 144.

Ao longo de 2024, foram contabilizados 3.020 sinistros de trânsito na capital pernambucana. Desse total, os motociclistas aparecem como os mais afetados.

Ao todo, 4.887 vítimas feridas estavam em ocorrências com motos, representando 78% dos atendimentos realizados pelo Samu.

Os dados também mostram que a maioria das vítimas está na faixa etária economicamente ativa. Pessoas entre 20 e 29 anos somam 2.231 feridos, seguidas por aquelas entre 30 e 39 anos.

Além disso, o segundo semestre concentra 57% das mortes, e os acidentes ocorrem, principalmente, nos horários de maior fluxo, como manhã e tarde.


Mais de Vida Urbana

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas