Casa construída por dom Hélder é legado para os jovens
A Casa de Frei Francisco atende um público de 11 a 16 anos com diversas atividades e alimentação
Publicado: 06/05/2026 às 07:00
Casa de Frei Francisco (Divulgação)
No bairro dos Coelhos, no Centro do Recife, o legado de dom Hélder Câmara entra em prática na vida de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade todos os dias. A Casa de Frei Francisco é um espaço que, há 42 anos, funciona promovendo apoio a quem mais precisa naquela região.
Era 1984 quando o Dom da Paz construiu uma casa destinada a atividades sociais em prol dos mais carentes da comunidade e também das regiões vizinhas do Coque e Joana Bezerra. Assim nasceu a “Casa de Frei Francisco”. No início, o local era um ponto de abrigo e apoio a pessoas em situação de rua, mas depois passou a atender crianças e adolescentes em vulnerabilidade social.
“A casa de Frei Francisco foi fundada pelo próprio dom Hélder em 1984. Quando ele foi para a Emeritude (tornou-se arcebispo emérito de Recife e Olinda), fundou um instituto chamado Obras de Frei Francisco. Todos os recursos recebia de doações ou de alguma premiação, ele destinava para a caridade. Então, com uma dessas premiações, adquiriu um terreno nos Coelhos e começou a construir a casa”, explica a diretora-executiva do Instituto Dom Hélder Câmara (IDHeC), Vírginia Pimentel.
“Nós buscamos preservar as mensagens de paz, fraternidade e boa convivência de dom Hélder. Nós mantemos a memória dele, tudo que ele ensinou. E nós também temos uma ação prática, porque o próprio dom Hélder dizia que só a palavra ou o evangelho não existem sozinhos, mas sim com ação prática”.
O funcionamento atual é no contraturno escolar. Os jovens de 11 a 16 anos participam das atividades no período em que não estão na escola. Ao todo, 80 são atendidos pelo trabalho da Casa. “Os jovens que estudam na escola pela manhã, eles chegam lá, almoçam e, antes de sair, também recebem uma refeição.
Os que estudam à tarde chegam lá pela manhã, tomam café e, antes de sair, almoçam. Temos uma coordenação pedagógica, aula de música, de marcenaria, de matemática, de leitura”, comenta a diretora.
Ainda segundo ela, um dos objetivos da instituição é a formação cidadã dos jovens. Além disso, também são realizados cursos de empregabilidade e encaminhamento permanente para o programa Jovem Aprendiz.
“É um trabalho de transformação. Na verdade, somos nós quem mais aprendemos, porque somos impactados todos os dias. Muitos desses jovens enfrentam enormes obstáculos sociais e pessoais, e eles se superam. Nossa missão é ajudar nisso. Eles têm problemas na comunidade em que vivem, com exposição à violência e drogas, deficiência nos estudos, dificuldade para se inserir no mercado de trabalho, e queremos ser luz nesse caminho, dando um direcionamento, orientação e possibilidade de eles se sentirem capazes”, acrescenta.
Manter esse trabalho por tanto tempo é um desafio, pontua Virgínia. Viver de doações é uma realidade que dificulta o processo, ela diz. Apesar disso, não pensa em parar. “A expectativa para o futuro é continuar com as nossas atividades. O IDHeC completou mais de 40 anos de atividade permanente, e isso é um sonho que não pode mudar, um sonho de qualidade. Nós não estamos preocupados com grandes quantidades. É um pequeno grupo, mas fiel ao ideário de Dom Hélder, porque ele sempre mostrou que é possível. Se existe boa vontade e determinação, é possível”, finaliza.