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Orquestra Criança Cidadã celebra 20 anos com concerto em cinco atos no Teatro de Santa Isabel

Projeto que já passou pela vida de mais de mil crianças e adolescentes em Pernambuco reuniu cerca de 400 integrantes e ex-integrantes em espetáculo que percorreu obras de Tchaikovsky, Shostakovich e Charpentier

Guto Moraes

Publicado: 25/07/2026 às 13:15

Orquestra Criança Cidadã em apresentação no Santa Isabel, nesta sexta (24)/Karol Rodrigues/DP Foto

Orquestra Criança Cidadã em apresentação no Santa Isabel, nesta sexta (24) (Karol Rodrigues/DP Foto)

Uma ode à transformação social a partir da música. Os 20 anos da Orquestra Criança Cidadã foram celebrados em cinco atos, nesta sexta-feira (24), no Teatro de Santa Isabel, no bairro de Santo Antônio, no Recife. O evento comemorativo percorreu diferentes períodos da música de concerto, da Serenata para Cordas em Dó Maior, Op. 48, do russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky, ao Prélude de Te Deum, H. 146, do francês Marc-Antoine Charpentier.

Sem piscar os olhos ou poupar longas salvas de palmas, o público acompanhou a passagem dos quase 400 integrantes e ex-integrantes, entre crianças e jovens, pelo palco do teatro. Em sequência, apresentaram-se o Grupo de Câmara, o Coro Infantil, a Orquestra Sinfônica Infantil, a Orquestra Sinfônica Infantojuvenil e a Orquestra Sinfônica Jovem.

Um dos pontos altos da noite foi a execução da Abertura Festiva, Op. 96, do compositor russo Dmitri Shostakovich. Foi um dos momentos mais aguardados pelo maestro venezuelano Rafael Dommar, que chegou ao Brasil há dois meses para integrar a Orquestra Criança Cidadã. “É uma peça que demanda muita energia da orquestra. Sei que todo mundo vai se empolgar ao escutá-la”, revelou ao Diario, antes do concerto.

Regente da orquestra, Dommar contou que só descobriu a celebração dos 20 anos ao chegar ao Brasil. “A partir dali começou um trabalho ‘hermoso’ e, em sintonia, começamos a focar no concerto de aniversário.”

A abertura do espetáculo de aniversário - que se repetirá neste sábado (26) - coube ao Grupo de Câmara. Em seguida, o Coro Infantil levou ao palco 75 crianças, que arrancaram sorrisos da plateia ao interpretar Dó-Ré-Mi, do clássico musical A Noviça Rebelde, antes de emocionar o público com O Caderno, de Toquinho.

Momentos antes do concerto, o juiz de direito João José Targino, idealizador e coordenador-geral da Orquestra Criança Cidadã, destacou que mais de mil crianças e adolescentes passaram pelo projeto ao longo dessas duas décadas, das quais cerca de 80% seguiram carreira musical.

“O objetivo desde sempre foi formar cidadãos. Para isso, sempre fomos muito rigorosos, sobretudo no aspecto disciplinar. Nessa trajetória, conseguimos não apenas formar cidadãos, como também profissionais”, celebrou Targino.

David Gomes [à direita], 21, integra hoje a Sinfônica Jovem, mas entrou na Orquestra aos 9 anos - Karol Rodrigues/DP Foto
David Gomes [à direita], 21, integra hoje a Sinfônica Jovem, mas entrou na Orquestra aos 9 anos (crédito: Karol Rodrigues/DP Foto)

A Orquestra Criança Cidadã no mundo

Referência em formação musical e inclusão social, a Orquestra Criança Cidadã já ocupou palcos além de Pernambuco, com apresentações em países europeus, como Portugal e Itália, e Israel, na Ásia. Nesse período, também escreveu capítulos marcantes da própria história ao tocar para dois papas - Francisco e Leão XIV - na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Na primeira dessas apresentações estava David Gomes, hoje com 21 anos. Natural e morador de Camela, distrito de Ipojuca, ele ingressou no projeto aos 9 anos. Atualmente, cursa Licenciatura em Música e transmite o conhecimento adquirido aos mais novos como professor-auxiliar.

“Venho de uma comunidade complicada, que tinha muita criminalidade. Até as crianças e os adolescentes eram envolvidos pelo tráfico de drogas. Hoje sou uma pessoa completamente diferente. Expandi meus horizontes, conheci várias culturas e aprendi muitas coisas. Inclusive, a passar o que aprendi”, relatou o jovem, que integra a Orquestra Sinfônica Jovem como violinista.

Gerente administrativa do núcleo de Ipojuca, Eliúde Braz relembra a chegada da iniciativa ao distrito, em 2014. “Trabalhamos com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. À época da implantação, foi realizado um estudo que identificou no distrito uma demanda maior por uma intervenção social. O projeto chegou transformando vidas”, recorda.

Ela destaca que, atualmente, 16 alunos do núcleo integram a Orquestra Sinfônica Jovem e outros três ex-integrantes estudam música nos Estados Unidos. “Isso não seria possível se não fosse esse trabalho”, conclui.

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