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Ex-diretor do presídio de Vitória de Santo Antão é preso em operação que investiga corrupção e extorsão

Polícia Civil aponta participação de policiais penais e de um ex-chaveiro em esquema que também teria envolvido extorsões contra detentos e lavagem de dinheiro; R$ 3,5 milhões foram bloqueados pela Justiça

Cadu Silva

Publicado: 25/08/2026 às 13:28

Delegado Lucas Freitas, delegado Jorge Pinto, delegado Paulo Dias, delegado José Tenório, delegado Cley Anderson/Divulgação/PCPE

Delegado Lucas Freitas, delegado Jorge Pinto, delegado Paulo Dias, delegado José Tenório, delegado Cley Anderson (Divulgação/PCPE)

O ex-diretor da unidade prisional de Vitória de Santo Antão, Emanoel França Lima, e outras três pessoas foram presas durante a Operação Controle Paralelo, deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco na manhã desta terça-feira (25). A ação investiga um esquema de corrupção dentro do sistema prisional, com suspeitas de extorsões contra detentos, agressões físicas e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão temporária, dos quais quatro foram cumpridos, além de 14 mandados de busca e apreensão.

A investigação começou em 2022, após uma requisição do Ministério Público de Pernambuco para apurar denúncias de extorsões praticadas dentro da unidade prisional de Vitória de Santo Antão. Na época, a apuração estava concentrada na atuação do chamado “chaveiro” do presídio, figura que, segundo a Polícia Civil, exercia informalmente o controle da massa carcerária.

De acordo com o delegado titular do Grupo de Operações Especiais (GOE), Jorge Pinto, responsável pela investigação, o chaveiro seria responsável por cobrar dívidas de presos e centralizar compras e outras atividades dentro da unidade. “Ele exercia uma espécie de controle paralelo dentro do presídio, cobrando valores dos detentos e impondo regras próprias”, afirmou o delegado.

Detentos que não pagavam os valores cobrados poderiam ser submetidos a agressões físicas e outras formas de violência. “Aqueles que não conseguiam pagar ou se recusavam a cumprir essas exigências eram ameaçados e, em alguns casos, agredidos”, disse Jorge Pinto.

Investigação chegou a policiais penais

Com o avanço das diligências, a Polícia Civil identificou que o caso poderia ir além das extorsões inicialmente investigadas. As apurações apontaram a existência de um esquema de corrupção envolvendo o então diretor da unidade prisional e pelo menos dois policiais penais.

Segundo o delegado Jorge Pinto, o dinheiro arrecadado pelo esquema teria sido movimentado com a participação de agentes públicos e de pessoas próximas a eles. “A investigação mostrou que não se tratava apenas de uma atuação isolada do chaveiro. Havia uma estrutura com a participação de agentes públicos e pessoas ligadas a eles”, explicou.

As transações teriam ocorrido tanto em nome do então diretor quanto de familiares. “Os valores eram pulverizados e movimentados por diferentes pessoas para dificultar a identificação da origem do dinheiro”, afirmou o delegado.

A investigação também identificou uma empresa ligada ao ex-chaveiro, voltada à criação de camarões. Para a Polícia Civil, a atividade teria sido utilizada para distanciar os recursos de origem ilícita dos agentes públicos e dificultar o rastreamento do dinheiro.

“Essa empresa aparece como uma possível ferramenta de lavagem de dinheiro. A atividade servia para dar aparência lícita a recursos que, segundo as investigações, poderiam ter origem nas extorsões e na corrupção”, disse Jorge Pinto.

 

Prisões

Dos seis mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça, quatro foram cumpridos nesta terça-feira (25). Entre os presos está o ex-diretor da unidade prisional de Vitória de Santo Antão.

Ele deixou a direção da unidade em 2023 e, posteriormente, passou a ter lotação no presídio de Palmares. Segundo a Polícia Civil, ele não exercia mais função de confiança.

Dois policiais penais também foram alvos de mandados de prisão temporária. Um deles foi localizado e preso no município de Escada. O outro não foi encontrado e é considerado foragido.

“Um dos policiais penais foi localizado e preso, mas o outro ainda não foi encontrado. As equipes continuam realizando diligências para cumprir esse mandado”, informou o delegado Jorge Pinto.

Outro preso é sobrinho do ex-chaveiro, localizado no Recife. Segundo a investigação, ele teria relação com os viveiros de camarão utilizados no esquema de lavagem de dinheiro. Durante o cumprimento do mandado, ele foi encontrado com uma espingarda calibre 12 e acabou preso também em flagrante por posse irregular de arma de fogo.

O quarto preso seria uma pessoa que, segundo a Polícia Civil, teria relação com o tráfico de drogas e auxiliaria na lavagem de capitais. Ele também teria passado pelo sistema prisional de Vitória de Santo Antão no período em que o principal investigado ocupava a direção da unidade.

O ex-chaveiro, apontado como figura central das extorsões investigadas, não foi localizado durante a operação. Segundo a Polícia Civil, ele está em liberdade desde 2024.

R$ 3,5 milhões bloqueados

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 3,5 milhões movimentados pelo grupo investigado. Também foram sequestrados quatro veículos como medida para preservar recursos que possam ser utilizados na reparação dos danos causados ao erário.

“Esse bloqueio é importante para evitar que os investigados se desfaçam do patrimônio e para garantir uma eventual reparação dos prejuízos causados”, explicou Jorge Pinto.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais também apreenderam armas de fogo nas residências de investigados, entre elas a espingarda calibre 12 encontrada com o sobrinho do ex-chaveiro.

As investigações continuam para esclarecer a participação de cada envolvido, identificar o destino dos valores movimentados e verificar a extensão do esquema dentro da unidade prisional.

“Ainda estamos analisando documentos, movimentações financeiras e outros elementos apreendidos. A operação não encerra a investigação; ela representa uma etapa importante para responsabilizar todos os envolvidos”, concluiu o delegado Jorge Pinto.

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