Aos 92 anos, Othon Bastos traz monólogo sobre sua vida ao Recife: "Viver já é uma arte"
Desta quarta-feira (25) até 4 de abril, a Caixa Cultural Recife recebe oito sessões do monólogo "Não Me Entrego, Não", com Othon Bastos. Os ingressos desta semana estão esgotados, mas novos bilhetes para a próxima semana poderão ser comprados na sexta-feira (27), às 12h
Publicado: 25/03/2026 às 06:00
Othon Bastos traz para a Caixa Cultural Recife oito sessões do monólogo "Não Me Entrego, Não" (Foto: Beti Niemeyer)
Em 1975, o Diario de Pernambuco celebrou Othon Bastos como “um ator magnífico, de longa tradição teatral e de interpretação cinematográfica de alto gosto” por sua atuação na antológica peça ‘Um Grito Parado no Ar’, no Teatro de Santa Isabel. Meio século depois, a mesma descrição continua valendo para o artista, que hoje soma 92 anos de vida e mais de 70 dedicados aos palcos.
É esse acúmulo de vivências, dentro e fora de cena, que o baiano leva ao monólogo biográfico ‘Não Me Entrego, Não’, em cartaz na Caixa Cultural, no Bairro do Recife, a partir desta quarta-feira (25), quando inicia uma série de oito sessões até 4 de abril.
Incansável, esbanjando forma e energia, Othon confidencia que o segredo para seguir atuando não é outro senão a própria atuação, sua fonte inesgotável de juventude. “Estar no palco ajuda a repôr minhas energias. Dividir a minha trajetória com o público e receber as pessoas emocionadas é muito especial. É como eu digo no espetáculo: a gente não pode perder é a alegria de viver”, compartilha o ator em entrevista ao Diario.
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Gigante do cinema, da televisão e da dramaturgia brasileira, o artista tem uma história que se confunde com a própria memória cultural do país. Seu rosto ficou marcado em ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’, como o cangaceiro Corisco, em ‘São Bernardo’, interpretando o sertanejo Paulo Honório, e em ‘Central do Brasil’, no papel do caminhoneiro César.
Em ‘Não Me Entrego, Não’, Othon é todos esses homens e, acima de tudo, ele mesmo. Ele transita entre o que viveu e o que interpretou, costurando com humor e emoção os fios de uma vida que é, ela mesma, um espetáculo.
A montagem foi construída a partir de mais de 600 páginas de pensamentos e citações que Othon Bastos escreveu. As memórias ali reunidas são suas, mas também de um coletivo que viveu, por exemplo, o teatro dos anos de 1940 e de 1950 — período em que integrou o Teatro Duse, depois de sair da Bahia e ser levado ao Rio por Paschoal Carlos Magno.
O ator entregou o material para o diretor e roteirista Flávio Marinho, a quem deu liberdade absoluta para reescrever, mas com uma única condição: “Não falo de coisas tristes, apenas da alegria de viver. A importância de viver já é uma arte”, relata o veterano.
cHá quase dois anos em circulação e já com mais de 90 mil espectadores, Não Me Entrego, Não’ retorna ao Recife, onde estreou em novembro de 2024. Desde então, em todas as apresentações, Othon brada o título, inspirado na canção ‘Perseguição’ – de Sérgio Ricardo para ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’ – como um manifesto de quem não se entrega ao tempo nem às dificuldades. “Eu acredito que, quando Deus lhe dá um talento, não é para você, mas para transmitir a outras pessoas. É isso que eu estou fazendo. Estou transmitindo aquilo que eu passei e como eu passei”, explica.
A peça alcançou recentemente a marca de 200 apresentações. Ainda assim, Othon continua se divertindo e se emocionando com a própria história como se fosse a primeira vez. “Toda vez que estou em cena e me lembro do fato, de como aconteceu, começo a rir de mim mesmo. É com alegria que conto aquilo, não como se fosse um vitorioso. É como diz o conto Zen: eu sou o que sou porque fui o que fui”, declara o ator.
No Recife, os ingressos da primeira semana já estão esgotados, mas as vendas para as quatro sessões da próxima semana começam na sexta-feira (27), às 12h, no site da Caixa Cultural Recife. Os bilhetes custam R$ 15 (meia) e R$ 30 (inteira).