Eddie lança 11º disco e traz o Original Olinda Style turbinado pelos ritmos caribenhos: "Está tudo interligado"
Banda Eddie lança seu 11º disco nas plataformas digitais, "Noturna", com a proposta de turbinar o caldo do Original Olinda Style com mais tempero latino
Publicado: 03/08/2026 às 06:00
Eddie aposta na mistura de referências locais e latino-americanas em "Noturna" (Foto: RAVMES)
O tempo pode engessar uma banda ou libertá-la das amarras. Com 37 anos de trajetória, o veterano grupo Eddie mostra maturidade e autonomia de sobra para expandir seus horizontes em “Noturna”. No novo disco, já disponível nas plataformas digitais, a banda pernambucana esquiva-se da previsibilidade ou de mudanças radicais.
Em vez disso, o resultado é um alargamento de fronteiras musicais para costurar texturas latino-americanas e experimentações poéticas à fusão de rock, cultura popular e vivência urbana que ditam seu ritmo desde os anos 1990.
O desapego a fórmulas e o espírito de vanguarda distinguem o Eddie desde a largada. Foi assim que “Original Olinda Style”, seu segundo disco de estúdio, virou um manifesto criativo atemporal, razão pela qual as novidades de agora parecem tão naturais.
Último remanescente da formação original, Fábio Trummer explica os pilares da longevidade musical e conceitual do grupo em meio a tantas transformações. “Desde cedo, entendi que uma carreira sólida se constrói a partir da obra e da sua autenticidade, e não apenas da circulação dela. Foi nisso que decidi investir”, conta o vocalista em entrevista ao Diario.
Para Trummer, o lançamento de um álbum produzido em estúdio segue a lógica de uma fantasia de carnaval, cujo verdadeiro sentido só existe quando ganha as ruas e o olhar das pessoas. “Para mim, não existe nada melhor na música do que entrar no estúdio e gravar um disco da Eddie”, celebra ele, com o mesmo fascínio de um estreante. “A gente vive por isso. No fim das contas, foi por esse momento que escolhi ser músico”, ressalta.
O fato de “Noturna” ser o 11º álbum da discografia e, mesmo diante de tantos antecessores, pautar discussões sobre inovação musical diz muito sobre os pernambucanos. No novo repertório, as tradições locais dialogam diretamente com sonoridades latino-americanas antes não exploradas pelo Eddie, a exemplo de ritmos caribenhos, como cumbia, salsa e bolero.
“A nossa latinidade tem muito a ver com uma ideia mais ampla de América Latina, que passa pela América Central, pela América do Sul, pelo México e até pelos Estados Unidos. Sentimos que fazemos parte desse universo cultural, porque, de certa forma, está tudo interligado”, diz Fábio Trummer.
A faixa-título abre o disco em tom de reverência à boemia de Olinda. Nascida instrumental, a música ganhou contornos de bolero psicodélico quando Samuel Mota criou uma sequência de acordes com referências latinas para reforçar o clima soturno, servindo de base para a letra escrita por Trummer.
“A música retrata esse momento da madrugada que parece durar para sempre, mas é feito de paixões passageiras. São amores que nascem por causa de uma música que você ouviu, de uma paisagem que viu ou de alguém que cruzou o seu caminho”, explica o cantor.
Um dos momentos mais imponentes da tracklist é a última faixa, intitulada “Poema da Paz”. Trata-se de uma composição do saudoso Erasto Vasconcelos, que, além do capricho melódico, traz como grande trunfo a própria voz e a poesia do autor, sampleadas e costuradas ao arranjo.
"A gente incluiu porque, para nós, Erasto é um mestre importantíssimo na nossa trajetória. A obra dele é fenomenal e merece ser sempre lembrada e revisitada”, reforça Trummer. Irmão de Naná Vasconcelos, o percussionista também é autor do hit “O Baile Betinha”, um dos maiores sucessos gravados pela Eddie até hoje.
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