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Peça clássica de Ariano Suassuna, ‘Farsa da Boa Preguiça’ ganha montagem inédita no Recife

Espetáculo é dirigido por Domingos Soares estreia nesta sexta (7) e cumprirá temporada no Recife até o dia 29 de agosto

André Guerra

Publicado: 05/08/2026 às 06:00

Espetáculo se mantém fiel ao máximo à obra base /Foto: Vitor Manuel

Espetáculo se mantém fiel ao máximo à obra base (Foto: Vitor Manuel)

Uma das mais emblemáticas obras da dramaturgia brasileira, a peça “Farsa da Boa Preguiça” pode também ser vista como um aprimoramento de temas e formas que Ariano Suassuna já havia trabalhado anteriormente. Assim argumenta Domingos Soares, diretor e ator da montagem, que estreia no Teatro Barreto Junior nesta sexta (7) e cumprirá temporada no Recife até o dia 29 deste mês, com duas apresentações também no Teatro do Parque.

Desenvolvido pelo grupo pernambucano Célula de Teatro, o espetáculo antecipa as comemorações do centenário do escritor, que será celebrado em 2027. Os ingressos custam a partir de R$30,00 e já estão disponíveis através do Sympla.

A fidelidade à essência da peça é uma marca importante para o coletivo, que segue a base célebre que atravessou gerações desde a sua criação nos anos 1960. “O universo de Ariano é tão rico e poderoso que fascina em absolutamente qualquer lugar ou época. Obras como essa possuem uma força que não pode ser descaracterizada”, explica Domingos ao Diario. “No caso da Farsa, fizemos alterações pontuais em termos e frases que não são mais politicamente corretas hoje, mas nada que mude o significado delas”.

A primeira vez que a peça foi encenada na capital pernambucana foi em 1961, no Teatro de Arena do Recife, combinando elementos da literatura de cordel, do auto popular, da tradição oral nordestina e do humor ao mesmo tempo acessível e sofisticado do mestre do Armorial. Joaquim Simão, poeta e cantador, é o protagonista, que defende o direito à imaginação e à criação em um mundo pragmático e materialista. Ele precisa lidar com os anseios da sua esposa, Nevinha, e com a avareza e a soberba de seus vizinhos Aderaldo e Clarabela, enquanto demônios e santos travam uma batalha espiritual.

No elenco estão: Djalma Albuquerque (interpretando Joaquim Simão), Cavi Baso (Aderaldo Catacão), o próprio diretor, Domingos Soares (Manuel Carpinteiro), Eder Camargo (Miguel Arcanjo), Guto Santana (Quebrapedra, o Cão Caolho), José Miranda (Fedegoso, o Cão Coxo), Karol Spinelli (Andreza, a Cancachorra), Paula Mendes (Nevinha), Paulo Sérgio (Simão Pedro) e Roseane Tachlitsky (Clarabela).

“Dizem que o próprio Ariano considerava a Farsa da Boa Preguiça sua peça favorita. Não é à toa. É realmente um refino de diversas coisas que ele já tinha feito antes e ainda diz muito sobre os tempos em que a gente vive”, acrescenta Domingos.

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