"Há um ar forte sudestino que a gente precisa dissipar um pouco", diz Kleber em discurso no Grande Otelo
Kleber Mendonça Filho venceu o troféu de Melhor Longa de Ficção no Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro em um empate inédito com 'Manas', de Marianna Brennand, na última terça-feira (4)
Publicado: 05/08/2026 às 13:59
Kleber Mendonça Filho afirmou que a Academia Brasileira de Cinema precisa se aproximar mais das regiões e produtoras fora do eixo Sul-Sudeste (Divulgação)
Na última terça-feira (4), durante a cerimônia do Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro, Kleber Mendonça Filho fez um discurso contundente ao receber o troféu de Melhor Filme por "O Agente Secreto" — que, em situação inédita, terminou empatado com "Manas", de Marianna Brennand. Em sua fala, o diretor pernambucano enfatizou a importância de a Academia Brasileira de Cinema se aproximar mais dos realizadores de estados distantes do Sudeste.
"É tudo sobre o cinema brasileiro, mas eu acho muito importante que a Academia Brasileira de Cinema chegue aos produtores e estados bem distantes do Sudeste. Já vim aqui outras vezes com outros filmes e há um ar forte sudestino que a gente precisa dissipar um pouco na Academia", afirmou Kleber.
"Essa é uma festa de todos nós, brasileiros", enfatizou o diretor em seu discurso no palco, agradecendo o resultado e celebrando, em especial, a atuação de Wagner Moura: "Grande ator, grande homem", exaltou.
Apesar de ter sido indicado ao Oscar de Melhor Ator por seu papel em "O Agente Secreto", o baiano perdeu a estatueta da mesma categoria no Grande Otelo para Jesuíta Barbosa, de "Homem com H".
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RELEMBRANDO A CONTROVÉRSIA
Durante o processo de escolha do filme que representaria o Brasil na disputa pelo Oscar 2026, na categoria de Melhor Filme Internacional, ocorrido na primeira metade de setembro de 2025, uma polêmica tomou conta das redes sociais quando "Manas" começou a ser exaltado. Elogiado dentro e fora do país, o filme de Marianna Brennand tinha o apoio de nomes internacionais grandes, como Sean Penn e Julia Roberts, e vinha ganhando força como alternativa.
A pressão online para que "O Agente Secreto" fosse escolhido como representante do país se avolumou. Indicada ao Oscar no ano anterior por "Ainda Estou Aqui", Fernanda Torres chegou a se manifestar em suas redes, enaltecendo a qualidade de todos os filmes que poderiam ser escolhidos, mas defendeu que, após sair do Festival de Cannes 2025 como o mais premiado e contar com a projeção internacional da distribuidora Neon, o longa pernambucano seria a melhor opção.
No dia 15 de setembro, a comissão da Academia Brasileira de Cinema anunciou "O Agente Secreto" como a escolha definitiva, o que levou o filme de Kleber Mendonça, estrelado por Wagner Moura, a um recorde de indicações ao Oscar para uma produção brasileira (quatro categorias, se igualando a "Cidade de Deus"), além de uma coleção de outros prêmios internacionais, como o Critics Choice e o Globo de Ouro de Filme em Língua Não-Inglesa.
Com "Manas" e "Homem com H" prevalecendo na maioria das categorias do Prêmio Grande Otelo, a Academia Brasileira de Cinema reforçou que, ao menos entre seus membros, "O Agente Secreto" definitivamente não possui a hegemonia que a comunidade cinematográfica internacional talvez esperasse.