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De filho de criminoso famoso à estrela do Balão Mágico: Mike Biggs desmistifica passado em documentário

Documentário "Biggs by Biggs" revisita a história de Mike Biggs, filho do assaltante britânico Ronald Biggs e ex-integrante da Turma do Balão Mágico, no Universal+

Allan Lopes

Publicado: 24/10/2026 às 06:00

. Mike Biggs ao lado do pai, Ronald Biggs/Foto: Divulgação

. Mike Biggs ao lado do pai, Ronald Biggs (Foto: Divulgação)

Em 1963, o assalto ao trem pagador que viajava de Glasgow a Londres entrou para a história como um dos crimes mais impressionantes do século 20. Um de seus executores, o britânico Ronald Biggs, conseguiu escapar da prisão e se estabeleceu no Brasil, onde virou uma celebridade midiática enquanto evitava a extradição.

Sua permanência definitiva no país foi garantida pelo nascimento de seu primogênito, Mike, cuja infância tomou um rumo totalmente oposto à clandestinidade do pai: ele virou estrela nacional após integrar o grupo infantil Turma do Balão Mágico. A convivência entre essas duas trajetórias marcadas pela exposição pública é revisitada no documentário “Biggs by Biggs”, com estreia em 6 de novembro no Universal+.

A obra, dirigida pela dupla Tatiana Issa e Guto Barra, viaja pelas diferentes fases da vida de Mike e expõe as marcas que a trajetória de Ronald Biggs deixou em sua família, mesmo após tantas décadas. Pela primeira vez, o filho do britânico traz a sua própria perspectiva dos fatos.

“Foi muito interessante porque pude rever algumas situações que me magoaram no passado e coisas com as quais eu não sabia lidar bem quando era adolescente”, revela o artista em entrevista ao Diario. Em meio às gravações – realizadas em Londres, no Rio de Janeiro e em São José de Ribamar, no Maranhão —, ele fixou residência no Brasil após duas décadas morando no Reino Unido.

A árvore genealógica e o círculo de convivência de Mike fugiam de qualquer padrão tradicional. Filho de uma stripper com o assaltante de trem mais famoso do mundo, ele cresceu tendo um falsificador de quadros como padrinho e uma atriz pornô como madrinha. “Meu pai conseguiu me manter em uma situação de normalidade”, destaca.

Ao mesmo tempo, o carisma de Ronald Biggs desafiou a rejeição normal a um criminoso. O britânico encontrou uma acolhida tão calorosa que foi alçado ao status de celebridade pop, incensada pela imprensa. “Ele era um gringo carioca. Gostava de ir ao Maracanã e entrar em botequins. A assimilação da cultura brasileira ajudou a construir a percepção de que ele era um cara alto-astral, e não um bandido violento”, explica.

Aos 8 anos, Mike encantou produtores e diretores após fazer um apelo dramático pelo resgate de seu pai — que havia sido sequestrado por mercenários — em rede nacional. O carisma do garoto diante das câmeras garantiu sua entrada na Turma do Balão Mágico, juntando-se a Simony e Tob. Posteriormente, o grupo foi reforçado com a adição de Jairzinho, filho de Jair Rodrigues.

Durante quatro anos, o fenômeno infantil dominou as paradas de sucesso, ditando o ritmo de uma geração e superando a barreira de 10 milhões de cópias comercializadas. “Eu continuava falando diante das câmeras e dando entrevistas. Acabou sendo algo orgânico, porque já estava acostumado àquela realidade. Não foi nenhuma grande surpresa”, relembra.

Para Mike, reviver essa trajetória e apresentá-la às novas gerações não é uma prioridade. Em vez disso, ele enxerga o documentário como uma oportunidade para desmistificar boatos que cercam o passado de sua família, como as teorias de que seu pai era um grande nome da máfia ou, ainda, a falsa ideia de que viveram esbanjando o dinheiro do roubo.

“Um grupo conseguiu parar um trem e realizar um assalto daquela proporção sem recorrer às armas ou à violência. Meu pai também conseguiu fugir da prisão sem usar nenhum desses recursos. Acho que uma das coisas que gostaria de mostrar às pessoas é que havia outras maneiras de fazer as coisas, e meu pai acabou encontrando esse caminho. Ainda bem”, aponta.

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