Ramal Camaragibe do Metrô do Recife volta a funcionar após paralisação nesta quarta-feira (29)
Só neste mês, o serviço foi interrompido três vezes, deixando centenas de passageiros sem transporte
Publicado: 29/07/2026 às 08:18
O Metrô do Recife, no bairro de São José (Foto: Crysli Viana/DP Foto)
O Ramal Camaragibe do Metrô do Recife voltou a funcionar, às 7h40, de acordo com a Companhaia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). A Companhia informou em nota que a equipe de manutenção em conjunto com a operação atuaram para a resolução do problema. Só este mês o serviço foi interrompido três vezes.
O ramal não iniciou a operação às 5h da manhã desta quarta-feira (29). Segundo a CBTU, uma falha na subestação rodoviária interrompeu o fornecimento de energia.
Todas as estações do ramal Camaragibe: Cosme e Damião, Rodoviária, Curado e Alto do Céu estavam paradas.
Enquanto aguardavam a normalização do serviço, passageiros relataram preocupação com o impacto na rotina. O técnico de enfermagem Weverton Ricardo de Andrade, de 32 anos, que utiliza o metrô diariamente para ir e voltar do trabalho, afirmou que o atraso aumentaria ainda mais o tempo de deslocamento.
“Demora muito. Principalmente hoje. Se o metrô não tivesse voltado, eu teria que ir até o Derby, pegar o BRT e gastar mais uma passagem para chegar em casa”, contou.
Segundo ele, normalmente já chega em casa por volta das 10h e, quando há problemas na operação, o horário se estende ainda mais.
A passageira Nadja Santos, de 54 anos, seguia para Camaragibe quando soube da paralisação. Ela disse que recebeu a informação por meio da imprensa e temeu precisar mudar completamente o trajeto.
“Se a gente fosse fazer outra rota, seria muito difícil. Teria que pegar um ônibus até a Boa Vista e depois outro para Camaragibe. Depois ainda seguir para São Lourenço. Ia demorar muito”, afirmou.
Na noite da última segunda-feira (27), a linha Centro foi interditada após uma queda de energia no ramal Jaboatão. Segundo a CBTU, o sistema teve que ser paralisado por conta de um curto-circuito na estação Cavaleiro, que afetou toda a operação.
Histórico
A nova interrupção amplia uma sequência de falhas que têm afetado a operação do Metrô do Recife nos últimos meses. Somente em julho, o sistema já registrou três paralisações.
Na última segunda-feira (27), a Linha Centro ficou interditada após um curto-circuito na estação Cavaleiro provocar uma queda de energia. Em março, o ramal também foi afetado por uma falha elétrica um dia depois de um trem descarrilhar. Já em fevereiro, o Ramal Camaragibe passou dois dias sem funcionar devido a problemas na rede aérea.
Em dezembro de 2025, um curto-circuito na rede aérea interrompeu a circulação da Linha Centro em pleno horário de pico. Antes disso, em novembro, uma falha na energia de tração também paralisou o ramal, enquanto uma greve dos metroviários manteve as 36 estações fechadas por três dias.
Em outubro e junho, dois incêndios atingiram composições do sistema em episódios distintos, e, em agosto, uma paralisação de 24 horas deixou todas as estações fechadas durante um protesto contra a privatização do metrô.
Privatização
As sucessivas falhas ocorrem durante o processo de transferência da gestão do Metrô do Recife da União para o governo de Pernambuco, etapa que antecede a concessão do sistema à iniciativa privada.
Como medida emergencial para evitar o colapso operacional, a CBTU iniciou neste mês a operação de um trem usado adquirido junto ao Metrô de Belo Horizonte. A composição começou a circular na Linha Sul no dia 10 de julho, cerca de um mês após o cronograma inicialmente previsto, com o objetivo de reforçar a frota e evitar a interrupção das operações, especialmente em um ramal que transporta aproximadamente 60 mil passageiros por dia.
A chegada do trem ocorreu poucos dias depois de problemas enfretados pelo sistema. Em junho, um trem descarrilou entre as estações Joana Bezerra e Recife e, semanas depois, a Linha Sul precisou ser totalmente paralisada por falta de composições suficientes para manter a operação.
Em seminário promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE), engenheiros afirmaram que os cerca de R$ 4 bilhões previstos para a recuperação da infraestrutura antes da concessão podem não ser suficientes diante do nível de deterioração do sistema.
Entre as principais preocupações apontadas pelo conselho estão a idade da frota, cuja média se aproxima de 40 anos, a ausência de recursos específicos para manutenção de viadutos e outras estruturas elevadas e o prazo de até dez anos previsto para substituição da rede aérea de alimentação elétrica, considerada um dos principais pontos de vulnerabilidade do sistema diante das sucessivas falhas registradas nos últimos meses.