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Do set até o Oscar, relembre trajetória de "O Agente Secreto", que já acumula mais de 60 prêmios

Indicado a quatro categorias no Oscar, "O Agente Secreto" já venceu mais de 60 prêmios internacionais em sua trajetória de sucesso desde o Festival de Cannes

André Guerra

Publicado: 10/03/2026 às 05:12

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Equipe de "O Agente Secreto" durante as filmagens de cena no aeroporto (Foto: Victor Jucá)

Ao longo de 10 semanas, entre junho e agosto de 2024, o Recife não sabia, mas estava sendo preparado para tomar conta do imaginário hollywoodiano. Foi nessa época que Kleber Mendonça Filho, a produtora Emilie Lesclaux e o grande elenco de “O Agente Secreto” estavam filmando na capital pernambucana e transformando as ruas, carros e construções tão conhecidos da população em um dos cenários mais marcantes do cinema brasileiro — ao lado de tantos outros.

O filme foi anunciado na seleção oficial do 78º Festival de Cannes, tornando-se o terceiro longa do diretor a estrear na competição (seguindo “Aquarius” e “Bacurau”, que venceu o Prêmio do Júri). A enorme expectativa foi mais do que confirmada não apenas com a ovação de 13 minutos da premiére, em 18 de maio de 2025 — testemunhada in loco pelo Diario —, mas também com a premiação, que concedeu ao longa as honrarias de Melhor Direção e Melhor Ator. A entrada dos Guerreiros do Passo no tapete vermelho ao som de frevo se tornou um dos momentos mais emblemáticos de todo o ano.

A extraordinária repercussão que “O Agente Secreto” teve com a crítica internacional expôs, desde a grande vitrine de Cannes, que o filme teria pernas para correr longe. Foi durante o festival que a distribuidora Neon, vencedora do Oscar com “Parasita” e “Anora” e uma das principais do mercado norte-americano atual, comprou os direitos do filme brasileiro. Isso posicionou o país instantaneamente entre as obras principais de toda a temporada, que se estenderia até agora.

O sucesso no exterior gerou um engajamento gigantesco no Brasil, que tinha acabado de levar o Oscar de Melhor Filme Internacional com “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, e já parecia confiante de que a história poderia se repetir. “O Agente Secreto” seguiu sua carreira internacional em grandes festivais, como Telluride e Toronto, centrais para sedimentar a força dos candidatos da temporada de prêmios da indústria, enquanto a Academia Brasileira de Cinema passava por seu processo de seleção para escolher qual seria o representante nacional na disputa pelo Oscar.

Com o filme de Kleber Mendonça finalmente anunciado oficialmente na corrida, começou o que, em retrospecto, deve ser considerado a campanha mais intensa de toda a história brasileira nas premiações da indústria. Wagner Moura, ator já célebre em Hollywood, entrou forte nos principais eventos de lançamento, valorizando o discurso do filme sobre a importância da memória e enaltecendo a parceria artística entre ele e o diretor pernambucano.

A estreia no Recife, no dia 10 de setembro de 2025, foi um evento que parou a cidade. Tomando conta do Cinema São Luiz, um dos principais personagens da trama, e também do Teatro do Parque, a equipe trouxe o grande fenômeno internacional para sua terra natal. A comoção para além de Pernambuco continuaria com as sessões que o filme ganhou nos principais eventos de cinema do país: Mostra de São Paulo, Festival do Rio e Festival de Brasília foram algumas das paradas antes da grande estreia, no dia 6 de novembro.

As indicações e vitórias nos principais prêmios televisionados de críticos e jornalistas — o Critics’ Choice e o Globo de Ouro — demonstraram como “O Agente Secreto” só cresceu desde seu lançamento, chegando ao Oscar como um indicado certo nas disputas principais. Em cartaz desde a gloriosa estreia, “O Agente Secreto” atingiu a expressiva marca de 2 milhões de espectadores no começo de fevereiro. E, mesmo já disponível na Netflix, mal dá para imaginar por quanto tempo permanecerá nas telas de todo o Brasil caso traga a estatueta para casa.

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