Oscar 2026: Disputa entre "Uma Batalha Após a Outra" e "Pecadores" esquenta final da corrida
Thriller de ação "Uma Batalha Após a Outra", com Leonardo DiCaprio, e terror "Pecadores" são os maiores indicados e grandes favoritos aos prêmios principais do Oscar este ano
Publicado: 14/03/2026 às 07:00
"Uma Batalha Após a Outra", de Paul Thomas Anderson, e "Pecadores", de Ryan Coogler disputarão troféu de melhor filme até o útimo minuto (Warner/Divulgação)
Uma das características mais marcantes do Oscar 2026 é a maneira como os indicados na categoria máxima realmente refletiram os grandes destaques da temporada, coisa que, em edições anteriores, nem sempre acontecia.
O maior consenso da produção norte-americana do ano passado entre crítica, público e premiações da indústria, “Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson, está com 13 indicações e prevaleceu em praticamente todos os termômetros do prêmio da Academia, incluindo Globo de Ouro, Critics’ Choice, Bafta e Sindicato dos Produtores (PGA). O cineasta norte-americano de “Sangue Negro” e “Trama Fantasma” é um dos mais prestigiados do cinema mundial e há anos que existe a comoção para que ele finalmente seja reconhecido.
Aparentemente, o único filme que tem chances de estragar o favoritismo do thriller de ação protagonizado por Leonardo DiCaprio é “Pecadores”, que bateu um recorde notável ao conseguir 16 indicações (o maior número da história). Comandado por Ryan Coogler, maior concorrente de Anderson em Melhor Direção, o terror tem a maior bilheteria nos Estados Unidos entre os indicados e deve prevalecer em categorias importantes, como Roteiro Original, Trilha Sonora e, talvez, Melhor Ator (Jordan) e Atriz Coadjuvante (Wunmi Mosaku).
“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, da já oscarizada Chloé Zhao, poderia ser uma terceira via na disputa principal, mas a consagração do longa deve vir com a vitória de Jessie Buckley, favorita absoluta ao troféu de Melhor Atriz. Já “Marty Supreme”, de Josh Safdie, concorre em nove categorias e tem em Timothée Chalamet sua maior esperança de não ser premiado em nada, mas a péssima repercussão de falas recentes do ator reduziram drasticamente suas chances na reta final da campanha.
O ácido “Bugonia”, de Yorgos Lanthimos, demonstra que o diretor grego de “A Favorita” e “Pobres Criaturas” virou um nome de prestígio na Academia até em projetos fora da curva, como é o caso. Apesar das indicações fortes de Emma Stone como Melhor Atriz e de Roteiro Adaptado, deve sair de mãos vazias da cerimônia.
Os blockbusters estão bem representados com “F1”, de Joseph Kosinski. O filme de ação liderado por Brad Pitt é o maior sucesso de bilheteria internacional da carreira do astro e, apesar de não ter chances no prêmio principal, pode levar algum dos troféus técnicos, especialmente a estatueta de Melhor Som. Outra superprodução que certamente prevalecerá nas categorias secundárias é “Frankenstein”, de Guillermo Del Toro, favorito em Design de Produção, Maquiagem e Figurino, setores sempre marcantes na filmografia do mexicano.
A presença de “O Agente Secreto” e “Valor Sentimental” — que representam respectivamente o Brasil e a Noruega na categoria internacional — na disputa principal do Oscar demonstra, novamente, que a Academia vem buscando tornar regra a nomeação de pelo menos um dos concorrentes de língua não inglesa, apesar de nenhum dos dois ter chances reais de vitória desta vez. O Brasil corre por fora este ano ainda na categoria de Melhor Fotografia com Adolpho Veloso e seu belo trabalho em “Sonhos de Trem”, que completa a lista dos indicados a Melhor Filme.