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MEMÓRIA

Jornalistas celebram o legado de Lêda Rivas no jornalismo cultural pernambucano

Falecida na última sexta-feira (13), Lêda Rivas foi editora do Viver, o caderno de cultura do Diario, por mais de 20 anos, tendo deixado a redação em 1998.

Allan Lopes

Publicado: 17/03/2026 às 06:00

Jornalista Lêda Rivas durante passagem pelo Diario de Pernambuco/Foto: Acervo/DP

Jornalista Lêda Rivas durante passagem pelo Diario de Pernambuco (Foto: Acervo/DP)

Há jornalistas cujo legado transcende, em muito, os textos que produziram. Lêda Rivas é, sem dúvidas, um destes nomes. A jornalista, falecida na última sexta-feira (13), dedicou mais de 20 anos ao Diario de Pernambuco, onde atuou até 1998 como editora do Viver e chefe do Departamento de Pesquisa.

Testemunhou e registrou de perto os movimentos culturais no estado e no país, entrevistando artistas e personalidades que marcaram época. Mas sua contribuição mais fundamental talvez tenha sido silenciosa e generosa, inspirando a formação de dezenas de profissionais que hoje dão vida e continuidade ao jornalismo cultural pernambucano.

A jornalista Ivana Moura diz que aprendeu a escrever sobre cultura não em manuais, mas na convivência com Lêda, na redação do Diario. “Ela foi uma das pessoas mais importantes da minha vida profissional”, define. Hoje atuando de forma independente, ela relembra os desafios enfrentados pela ex-chefe como uma das primeiras mulheres a ocupar o cargo de editora.

“Não é pouca coisa lidar com altivez e ética com os assuntos culturais de uma cidade como o Recife, sempre contraditória e repleta de detalhes ricos dos seus elementos culturais”, diz Ivana, que também assumiu a edição do Viver posteriormente, entre 2005 e 2013.

Marcos Toledo, por sua vez, foi aluno de Lêda no curso de Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Depois de formado, trabalhou por vinte anos no Jornal do Commercio e da Folha de Pernambuco e, embora nunca tenha dividido a mesma redação com Lêda, guarda até hoje a memória de suas aulas, onde ela sempre trazia um profissional diferente para aproximar a turma da realidade da comunicação. “Ela já tinha essa sensibilidade de mostrar o jornalismo por dentro”.

Além disso, também a admirava como guardiã do histórico acervo do Diario. “Eu tenho essa mesma pulsão pela preservação. Me identificava profundamente com ela nesse aspecto”, recorda Marcos.

Enquanto leitor que a acompanhou assiduamente no Diario, ele tem convicção de que a editoria de cultura sob o comando de Lêda foi corresponsável pela consolidação do jornalismo cultural no estado. “Eram essas publicações que abriam espaço, divulgavam e acompanhavam a cultura pernambucana, mais do que qualquer outro veículo”, avalia.

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